A arte que faz uso de todas as partes do corpo para fins de auto-defesa tem, em Bauru, nomes que começam a se destacar em competições de âmbito nacional. Tamylin da Silva, de 14 anos, e Natan Chaves, de 15, ambos graduados na faixa marrom lutam na categoria infanto-juvenil, além do faixa preta Wagner Pereira, de 34 anos, que luta na categoria adulto, são atletas com bons resultados no karatê.
O trio, que treina a arte marcial japonesa no estilo shotokam, conquistou no último Campeonato Brasileiro de Karatê a vaga para o mundial da modalidade a se realizar na Austrália, no mês de agosto.
O torneio Nacional que deu a vaga aos atletas bauruenses foi realizado nos últimos dias 14, 15 e 16, em Aruja, próximo a São Paulo. Na ocasião, Natan foi o campeão no kumitê (luta) e ficou em terceiro no kata (espécie de luta contra inimigo imaginário); Tamylin pegou o terceiro lugar tanto no kumitê como no katá e Wagner obteve a quarta colocação em ambos os estilos.
Para o técnico dos atletas bauruenses, Roberto Alves Batista Júnior, de 39 anos, os atletas devem realizar um treino específico para o mundial. “O karatê de alto nível é muito exigente, por isso eles tem que se doar integralmente para os treinamentos. Estamos desenvolvendo métodos em vários locais diferentes, para desenvolver a qualidade técnica e a concentração na arte marcial.”
O Campeonato Mundial da Austrália, será organizado pela Japan Karatê Association (JKA), que administra o estilo shotokan, um dos mais difundidos do mundo.
O karatê é um esporte que possui diversos tipos de competições, muito embora não possua status de esporte olìmpico como o judô e o taekwondo. Isto se deve ao fato de que não há uma organização centralizadora para o karatê, assim como não existem regras uniformes entre os diversos estilos.
No último campeonato mundial, realizado no Japão, estiveram presente mais de 80 países representados por aproximadamente 2500 atletas. Os principais adversários dos brasileiros são os lutadores de origem Bélga, Francesa, Itáliana, Inglesa, Argentina e norte-americana, além dos maiores favoritos, os japoneses.
Os três bauruenses integram a Seleção Brasileira de Karatê, que como é comum em alguns esportes brasileiros, com dificuldades financeiras. A seleção tem arcado somente com o custo das inscrições dos atletas. Portanto, os competidores pagam a viagem do próprio bolso ou com a colaboração de seus patrocinadores.
Segundo o sansei Roberto, o custo chega a 3500 dólares por atleta que disputa o mundial. Não obstante, os bauruenses necessitam de patrocínios para defender o Brasil em agosto na Austrália.
O próximo desafio dos bauruenses é o Campeonato Paulista em junho, próximo. A competição será disputada em Guaratinguetá, São Paulo.
O karatê
Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias”. O maior objetivo da arte marcial é a perfeição do caráter, através de árduo treinamento e rigorosa disciplina da mente e do corpo. O karatê utiliza como armas as mãos, os braços, as pernas, os pés, enfim, qualquer parte do corpo.
Várias formas de combate desarmado eram praticadas na Índia, na China, em Formosa e em Okinawa, uma ilha ao sul do Japão. Em Okinawa, as lutas desarmadas foram desenvolvidas em segredo durante muito tempo, devido à influência dos fidalgos japoneses que conquistaram a ilha, proibindo os seus súditos de carregarem armas. Esta proibição de andarem armados obrigou muitas pessoas a praticar formas de combate sem armas, em segredo.
Devido ao fato do karatê ter sido praticado secretamente no passado, um grande número de escolas e estilos (Ryus) foram desenvolvidos. Hoje em dia existem inúmeras escolas da modalidade no Japão, sendo as mais destacadas: Shotokan, Goju-Ryu, Shito-Ryu e Wado-Ryu, todas com ramificações pelo mundo afora.