08 de julho de 2026
Nacional

PT aprova aliança para reeleger Lula

Por Fábio Zanini e Lilian Christofoletti | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O PT aprovou ontem uma política de alianças ampla, que inclui a possibilidade de coligações com os partidos mais identificados com o escândalo do mensalão (PP, PTB e PL), além do PMDB. Vetadas estão apenas alianças com PFL e PSDB, os dois principais partidos de oposição, que na prática já estavam excluídos em razão da verticalização. O PPS, que discute o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrou numa categoria especial - apesar de não haver veto total ao partido, existe “forte restrição” a ele.

O 13.º Encontro Nacional, realizado em São Paulo, também definiu o presidente do partido, Ricardo Berzoini, como coordenador-geral da campanha petista de outubro, inclusive da presidencial, como já era esperado.

A decisão de liberar coligações com legendas claramente de direita, como o PP (sucessor da Arena, partido de sustentação do regime militar) veio um dia depois de um duro discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos 1.200 delegados do encontro. Em tom de cobrança, por vezes dando uma bronca no partido, Lula pediu que os “companheiros” cedam espaço para outras legendas nos Estados e montem palanques grandes, pensando sempre no projeto nacional.

O PT tende a ter candidatura própria em 20 Estados, mesmo em locais em que o partido é quase um “nanico”, como Alagoas, Paraíba e Goiás. Na diretriz aprovada ontem, a direção petista fez uma pequena concessão a alguns agrupamentos de esquerda, que estavam preocupados em evitar um “vale-tudo” nos Estados. Por isso, caberá ao diretório nacional dar a última palavra sobre as coligações nos Estados.

A idéia inicial era dar autonomia completa aos diretórios locais. “É importante que se constituam alianças com outros partidos, que integram a base de apoio do governo, bem como com partidos que não integram a base, mas que nos Estados são aliados das forças democráticas e populares e adversárias do PSDB e PFL, núcleo da oposição conservadora que devemos derrotar”, afirma a diretriz.

O trecho que menciona partidos que não integram a base mas podem ser aliados locais é uma referência a PDT e PV. Em outra concessão a grupos como Articulação de Esquerda (“radical”) e Movimento PT (centrista), a diretriz aprovada pede uma “governabilidade de novo tipo” em um hipotético segundo mandato de Lula, com uma “maior incidência do PT e demais partidos de esquerda’’. Isso poderá abrir caminho para o PT se apoderar ainda mais da administração federal a partir de 2007.

“Há uma abertura para conversar com todos os partidos, com o objetivo de fortalecer a posição do PT’’, afirmou Berzoini. A autorização para coligações amplas foi aprovada por cerca de 80% do partido. Ficaram contra apenas a Democracia Socialista (segunda corrente mais importante interna) e a minúscula O Trabalho, de extrema-esquerda. Essas correntes defendiam aliança apenas com partidos de esquerda, como PSB e PC do B.

“O partido precisa aprender com os erros do passado e unificar uma aliança que resgate nossa ligação com os movimentos sociais”, afirmou o secretário-geral da legenda, Raul Pont, da Democracia Socialista.

A ordem no partido é de pragmatismo total. Mesmo o veto explícito a tucanos e pefelistas não significa que alianças brancas em alguns Estados não serão toleradas. Em Sergipe, por exemplo, o petista Marcelo Déda disputará o governo e quer o tucano Albano Franco como seu candidato ao Senado. “Apoios isolados são impossíveis de as instituições do partido controlarem”, afirma Déda.