08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Padres e pastores


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Muitos anos se passaram, quando os meus pais tiveram um problema com um determinado padre, afastaram-se da paróquia que freqüentavam e ficaram em casa, ninguém foi atrás deles para os fazer voltar àquela comunidade, até que um irmão evangélico veio e levou-os para a religião dele. Nessa época eu me encontrava afastado da minha fé católica e longe daqui, em Cuiabá-MT, a minha mãe batalhou muito para que fôssemos para aquela nova religião que eles passaram a fazer parte, mas não fomos não.

De volta para Bauru e no ano de 1992 fomos convidados para participar do ECC, que eu nunca ouvira falar; respondi que participaria, mas não continuaria naquele “trem”. Mas os planos de Deus eram outros, participamos desse ECC e mergulhei de cabeça. Aí vieram: o Sopão dos Inimigos da Fome, reuniões mensais, ECC 2ª Etapa, Pastoral Familiar, ENS, Pastoral do Dízimo, Retiro Bom Pastor (casais em 2ª união), grupo de canto, coordenação de comunidade, compra de muitos livros e muitos estudos, etc.

De uma coisa passei-me a questionar, coisa que ainda não vi questionado profundamente na minha religião: por que católicos ativos migram para outras religiões? Pois meus pais eram católicos ativos, deram duro nas pasteladas até altas horas da noite para ajudarem a levantar a igreja Mãe do Redentor, davam cursos de batismo, crisma, eram vicentinos, etc. E depois os vários casais e pessoas amigas que migraram para outras religiões, o último foi um casal que participara do Retiro Bom Pastor, teve um problema em sua vida, buscou ajuda numa determinada igreja mas o padre não o atendeu, afastou-se da igreja, entrou em depressão, perdeu vinte e seis quilos; até que um dia, um antigo amigo dos tempos de caserna, que participava em outra religião, convidou-o para fazer uma visita na sua igreja, foi e foi muito bem acolhido que continua lá ainda hoje. A conclusão que cheguei: falta de fé e falta de conhecimento da doutrina católica.

Ao propor a um determinado sacerdote para estendermos a nossa missa dominical para umas duas horas (mais ou menos) e passarmos alguma coisa sobre a doutrina católica e também alguma coisa que pudéssemos aumentar a fé daqueles fiéis, principalmente daqueles que freqüentam somente as missas nos domingos, respondeu-me que a missa não é lugar de catequese. Mas não me contive, busquei mais conhecimento, tentei nas oportunidades que tive, passar alguma coisa mais sobre a eucaristia, pois estávamos vivendo o Ano da Eucaristia, mesmo porque, acho que o dia em que conseguirmos abrir a cabeça de todos os católicos e fazê-los entender de fato a eucaristia, mais nenhum católico migrará para outras religiões. Sem contar aquele sacerdote que não quis celebrar a missa, no dia 2 de abril, por ocasião do encerramento do Retiro dos Coroinhas de sua paróquia, realizado no CTV e nem permitiu que outro sacerdote assim o fizesse.

Hoje passo por um momento delicado em minha paróquia, por causa de um padre forte e prepotente. Graças a Deus não me encontro no mesmo grau de fé que meus pais se encontravam na época que tiveram seus problemas. Sou católico apostólico romano, aí fomos batizados, aí morremos, mas respondo com uma música do pe. Zezinho que diz: “Não troco a minha fé por outra fé, não troco a minha paz por outra paz... Sou santo e pecador e minha Igreja também é, porém não troco a minha fé por outra fé... E sei que minha santa religião tem muito que aprender e mais ainda que mudar. Mas fico aonde estou porque acredito e luto para mudar a minha Igreja para melhor. Temos muitos padres, pouquíssimos pastores! A você, sr. padre, que achaste ruim o meu desabafo, pense quantos católicos já fizestes migrar para outras religiões. A você, sr. padre, que sensibilizaste com o meu desabafo: bens a Deus, és de fato um pastor! Eu vou até o fim, mantendo a mesma fé, eu tenho alguém por mim: Jesus de Nazaré.

Osvaldo José Thomáz - RG 28.971.201-5