O cheiro da mata, o som do vento tocando as folhas, as derivações do verde que os olhos captam mas que as palavras não dão conta de expressar e a natureza sentida por todos os poros. Para chegar a esse lugar, não é preciso percorrer muitos quilômetros. Trata-se do Horto Florestal, localizado na movimentada avenida Rodrigues Alves, e que sediou na tarde de ontem o 3.º Encontro do Grupo de Trabalho (GT) em Trilhas Interpretativas.
Organizado pela ONG Sociedade Educativa Gaia, de Bauru, e pela empresa Biodiversa, de Sorocaba, o GT, realizado a cada dois meses, visa o conhecimento e a avaliação das trilhas da região, tendo como quesitos segurança, infra-estrutura, preservação da mata, manutenção e divulgação das trilhas.
“Não é apenas percorrer a trilha, e sim vivenciá-la. Nós a interpretamos, analisamos as plantas, vemos quais são nativas e quais não são. Também avaliamos a estrutura da trilha. Feito isso, escrevemos um relatório para depois encaminharmos aos devidos responsáveis”, esclarece a presidente da Ong, Regina Helena Munhoz.
Para o biólogo da empresa Biodiversa, Demis Lima, cada vez mais as pessoas têm buscado na natureza o seu bem-estar, mas suas funções ainda são desconhecidas pela maioria. “Cada coisa tem seu nome e seu papel. Por exemplo, o brasileiro adora banana, mas muitos não sabem que não é uma fruta típica daqui. É importante conhecermos a função ecológica da flora para que, além de preservarmos, saibamos o que deve ser plantado em cada ambiente”.
Familiarizar-se com a natureza também é um dos objetivos apontados por Munhoz. “Todos nós fazemos parte da natureza. Por isso que, se as crianças e os adultos aprenderem a respeitar esse ambiente, com certeza, terão o mesmo comportamento na sociedade”.
O encontro também visa a troca de experiências entre os participantes, como explica Lima. “Com o evento, conhecemos metodologias diferentes de exploração da mata, além de trocarmos livros e idéias”, pontua. Lima ainda coloca a importância do encontro para a educação ambiental. “Não há melhor maneira de se aprender do que com a prática. Aqui pretendemos formar adultos, para que eles passem o aprendizado adiante”.
A lição de casa foi muito bem assimilada pelos 20 participantes, de diversas cidades, faixas etárias e formação, como a estudante Laura Benitiz, de Sorocaba, que participou do encontro pela primeira vez. “O GT está sendo ótimo para conhecer as trilhas da cidade, que muitas vezes seus próprios habitantes não conhecem. Além disso, aqui trocamos experiências, uma vez que a maioria atua em áreas diferentes”.
Membro do grupo desde o início, o engenheiro florestal e professor André Ferreira dos Santos, de Botucatu, ressalta o caráter educativo do encontro. “Eu trabalho com a formação de pessoas e não há melhor aprendizado do que a céu aberto”.
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Surgimento
O grupo surgiu a partir do interesse gerado nos participantes durante o curso de trilhas interpretativas ministrado pela equipe da Biodiversa no ano passado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu durante o Iº Encontro de Educação Ambiental de Botucatu.
A partir desse evento, os integrantes passaram a se encontrar a cada dois meses, sempre explorando cidades diferentes. Nesse sentido, foi realizado em dezembro de 2005 o primeiro GT na cidade de Bofete. Em fevereiro deste ano, o grupo se reuniu no município de Pilar do Sul, onde os participantes tiveram a oportunidade de conhecer os potenciais turísticos da região, explorando quatro diferentes trilhas.
O terceiro encontro começou na manhã de sábado no Zoológico Municipal. Após uma palestra sobre interpretação ambiental, análise e planejamento de trilhas, os participantes percorreram a trilha do Jardim Botânico. Hoje será dada continuidade à programação por meio da exploração da Área de Vivência Ambiental, mantida pela empresa Duratex, em Agudos, além da realização da trilha do horto.
• Serviço
Sociedade Educativa Gaia. Informações (14) 3223-9780 ou (14) 32811715 Empresa Biodiversa. Informações: (15) 3217-2833.