10 de julho de 2026
Cultura

Médium recebe pintores consagrados na OAB-Bauru

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Tarsila do Amaral, Sun Kin Gi, Monet e Van Gogh foram alguns dos pintores recebidos pelo médium Orlando Padovan na tarde de ontem, na sede da subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em menos de três horas, 9 telas foram criadas. No final da tarde, todos foram leiloados, com renda revertida para o Lar-Escola Rafael Maurício.

Delegado aposentado, Padovan formou-se em direito pela Instituição Toledo de Ensino em 1971, e começou a estudar o espiritismo cerca de 15 anos mais tarde. “Nunca dei importância à religiosidade. Mas aos 40 anos, por pura curiosidade, comecei a ler sobre ciências ocultas e conheci o espiritismo, no qual me aprofundei”, explica.

O talento mediúnico levou ainda mais uns anos para ser notado. “Sempre tive facilidade para escrever. Via cenas e apenas descrevia. Escrevi quatro livros, mas só depois fui notar que não eram minhas aquelas histórias e sim dos espíritos”.

Há 17 anos o que era apenas uma suspeita tornou-se certeza, quando o pintor chinês Sun Kin Gi lhe apareceu. “No começo achei estranho, fiquei um pouco assustado, mas depois compreendi. Depois, também soube que o coordenador do projeto é o Van Gogh”, coloca.

Apenas admirador de arte, sem nunca ter estudado ou praticado a pintura, Padovan levou apenas dois meses para desenvolver as habilidades mecânicas necessárias para receber os pintores. “Entendi por que o meu processo foi tão rápido. É que em outra encarnação fui pintor e convivi com eles”. De acordo com o médium, os espíritos o procuram para despertar nas pessoas a sensibilidade.

Processo

Para que o médium entre em contato com os espíritos, o ambiente precisa passar por uma prévia preparação, além da preparação mental do próprio executor. Padovan explica que a comunicação com os pintores é feita sem a necessidade da incorporação. “Eles ficam ao meu lado. É a energia que eles mandam que conduz minhas mãos”.

Os pintores nem sempre são os mesmos, ficando às vezes oito meses sem aparecer. “Eu, particularmente, gosto muito do Modigliani, mas faz tempo que ele não vem. Quando aparecer, vou perguntar o que aconteceu”, brinca.

Durante a produção do trabalho, o pintor responsável pela obra conversa com o público, chegando a emocionar os presentes, como aconteceu com a estudante Valéria Carvalho de Assis. “Sou espírita, mas é a primeira vez que eu vejo um trabalho como esse. Estou muito emocionada, porque eu senti a presença do pintor”.