09 de julho de 2026
Geral

Em três anos, pobres aumentam 4,1%

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Entre 2001 e 2004, a pobreza em Bauru aumentou. Em três anos, o número de famílias pobres na cidades cresceu 4,1%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta que em 2001 a cidade possuía 7.848 famílias consideradas pobres. Em 2004, esse número subiu para 8.712.

Considerando, como a Secretaria Municipal do Bem-estar Social (Sebes), que cada família tem uma média de cinco pessoas, isso significa que de 2001 para 2004, Bauru ganhou 1.620 novos pobres, 1,4 pessoa por dia.

Comparando com cidades próximas, Bauru ficou numa média regional. Em Botucatu, o aumento de famílias pobres foi de 4,4%, o mesmo índice de Jaú. São Carlos, ficou ligeiramente abaixo, com indíce de 4%.

Mas o que levou a esse aumento? Para Egli Muniz, titular da Sebes, no período coberto pela pesquisa, houve um aumento positivo em alguns índices sociais, como educação e saúde. Mas o de desigualdade social continuou. “E na mesma proporção que vinha se reproduzindo há muitas décadas. Esse índice só apresentou uma sensível melhora no ano passado. Eu acredito que Bauru está dentro da variação que houve no Brasil”, avalia.

Ela se refere à intensificação de programas de transferência de renda, que pode ter contribuído para melhorar a situação dos bauruenses de 2004 para cá. Para trabalhar com a população carente de Bauru, a Sebes adota os números relacionados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com os dados do instituto, 24,55% da população bauruense vive na faixa da pobreza, isso corresponde a 80.850 pessoas, em 2004. Em situação de indigência e miséria estão 5,14% dos bauruenses, ou seja, 17 mil pessoas. De acordo com Egli, a renda per capta de quem está na linha da miséria é de um quarto do salário mínimo, ou menos de US$ 1,00 ao dia. “Esse cálculo (do Pnad) de oito mil famílias, estaria mais ou menos na pobreza. É cálculo menos rigoroso que o Ipea”, aponta.

Apesar da migração para Bauru ter diminuído, Muniz aponta que a quantidade de presídios na cidade contribui para o aumento. Atualmente, Bauru conta com duas unidades penitenciárias e um presídio agrícola. “As famílias dos reeducandos acabam vindo para Bauru e isso com certeza vem aumentando o nosso índice populacional. Grosso modo, seria um dos fatores do aumento da população de Bauru, principalmente essa mais pobre”, afirma Egli Muniz.

Índices

Alguns resultados mostrados pelo levantamento surpreendem. Em Estados como Rondônia, a maioria das cidades apresentou um decréscimo no número de famílias pobres. Porto Velho, por exemplo, diminuiu o índice em 22,6%. De acordo com Muniz, as cidades de regiões mais pobres ao País tiveram desempenho melhor que São Paulo, porque o investimento social foi maior. “O Bolsa-Escola destinado para o Nordeste é maior do que em outras regiões. Outros investimentos sociais foram muito maiores lá”, observa.

Para Muniz, a pesquisa também serve para comprovar a eficiência dos programas de transferência de renda. “Numa avaliação preliminar, poderíamos concluir que os investimentos nos serviços sociais em geral compensam. Eles contribuem significantemente para a redução da pobreza”.

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Projetos

De acordo com titular da Sebes, Egli Muniz, para melhorar os índices sociais de Bauru é necessário um conjunto de investimentos econômicos e sociais, como aumentar a oferta de emprego, a arrecadação municipal e o número de entidades sociais. De acordo com Muniz, o número de empregos precisa crescer especialmente nas regiões de maior vulnerabilidade na cidade. “Teria que ser distribuído na região periférica, para atingir essa população”, aponta.

O aumento do orçamento da prefeitura, diz vai refletir no aumento da assistência social. “5% do orçamento vai para a assistência social. Sendo que 2% vai para um fundo municipal da assistência. Com o aumento do orçamento, com certeza vamos ampliar a cobertura da população atingida pela rede”, explica a diretora.

E para aumentar o número de entidades sociais ns regiões periféricas, a Sebes está estimulando grupos de voluntários que atuam nesses locais a se organizarem formalmente. “Damos todo apoio técnico e assessoria para isso. Dessa forma, podemos financiar programas e projetos desenvolvidos por essas entidades” nessas regiões.