08 de julho de 2026
Geral

Na periferia, a vida é de expectativas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 1 min

“Se eu pudesse me mudar do Ferradura, iria para a Vila São Paulo ou para o Santa Luzia. Não tirava nem a mobília da casa”, conta Elisângela Rosa, 30 anos, dona de casa. Ela mora com os três filhos e o marido na favela do Ferradura Mirim há cerca de dez anos. Todas às tardes, ela e as amigas saem para conversar na porta de casa, enquanto vigiam as crianças brincar.

Ela, que deixou um emprego como atendente de padaria para se dedicar ao lar, morava antes na Vila Santa Luzia e se mudou para o bairro depois que a mãe vendeu a casa onde moravam. “Vim morar com a minha mãe aqui no Ferradura. Conheci o meu marido e acabei ficando”, lembra. Hoje a única fonte de renda da casa é o salário do marido, que é motorista. Ela diz não gostar muito do bairro, por causa do abandono. “Falta muita coisa no bairro, Nem vale à pena ir até a prefeitura reclamar e pedir as coisas. Aqui não tem nem creche”, critica.

As gêmeas Alexandra e Adriana de Oliveira dos Santos, 23 anos, também donas de casa, fazem companhia à Rosa. As duas também têm três filhos cada uma e mudaram-se de Gália há 10 anos, procurando uma vida melhor em Bauru.

“Para mim, está bom. O bairro é meio longe, mas não tem problema”, aponta Alexandra. Mas para Adriana, a vida em Bauru não está tão boa assim. “Lá, em Gália, estava melhor de serviço. Tem parte que eu me arrependo de ter mudado para cá”, confessa. O marido dela, assim como o da irmã, trabalha como servente de pedreiro. “O salário dele não dá para nada não, ganha cerca de R$ 60,00 por semana”.