Todos os políticos sérios - e é possível, sim, identificá-los - são unânimes em afirmar que os eleitores têm sua parcela de culpa pela enlameada situação da política nacional. Não apenas por conta do voto propriamente dito, também pela postura adotada a partir do momento em que viram as costas para urna eletrônica. O dever cívico não acaba em plena seção eleitoral. É neste momento que começa o verdadeiro trabalho do eleitor responsável. Acompanhar o desempenho do parlamentar que ajudou a colocar no poder é uma obrigação moral num sistema democrático. E o cidadão tem total direito de cobrar o deputado ou vereador que elegeu caso constate que ele está se afastando dos objetivos prometidos em campanha. Hoje, com a internet, ficou ainda mais prático.
Câmaras e assembléias têm páginas virtuais e listagem dos parlamentares com mandato, a maioria com e-mails disponíveis para o acesso de qualquer cidadão. Basta clicar, escrever o que deseja saber do vereador, deputado ou senador e aguardar, até o fato de receber ou não uma resposta já é um indício do compromisso do parlamentar com o seu eleitor. Enfim, é preciso adotar o mesmo sistema das empresas e lares. Empresários responsáveis acompanham o desempenho de seus funcionários, pais atentos querem saber o dia-a-dia dos filhos. Na esfera política com certeza dá mais trabalho do que simplesmente apertar o botão da urna, mas, é a única esperança de termos políticos realmente trabalhando pelo povo e não apenas em causa própria como vem acontecendo em grande escala.
É claro que só isso não resolverá o problema da falta de vergonha de muitos de nossos representantes, porém, com a proximidade das eleições, poderá dar um indício de quem merece ou não se manter no poder. O brasileiro precisa banir aquele discurso conformista de que são todos farinha do mesmo saco. Não são, porém, para descobrir aqueles que não se encaixam no jargão é preciso adotar uma postura menos omissa e mais participativa.
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa