08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Verdade seja dita


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Como bauruense, acho interessante a ida de Marcos Pontes ao espaço. Mas, verdade seja dita: isso foi tão útil quanto uma visita ao Playcenter. O programa espacial brasileiro beira à falência desde seu pavoroso início. Já se explodiu os três únicos foguetes construídos aqui, a um custo bilionário e com perdas irreparáveis de vidas. Curiosamente, na última explosão brasileira, mesmo sem nunca se ter mandado um foguete ao espaço, morreram mais pessoas em terra que nos programas espaciais dos EUA e Rússia juntos, em 40 anos de existência.

O Brasil, que ousou fazer parte do consórcio espacial para a construção da ISS, obrigando-se a desenvolver e construir segmentos da estação, não consegue cumprir os prazos impostos e nem, tão pouco, entregar qualquer equipamento, acarretando atrasos e descontentamento com os países sérios envolvidos, pois eles que impulsionam eficazmente a estação orbital.

Em verdade, o passeio de Marcos Pontes foi um investimento em marketing tão somente, numa tentativa de salvaguardar a incapacidade do governo federal no programa espacial fajuto e falido como o brasileiro. E o que é pior, jogou-se fora mais de 22 milhões de reais nessa brincadeira porque nada se trouxe ou trará de útil ao País, nem como conhecimento, nem como aprendizado. É algo como levar índios para passear de barco a motor: uma novidade e alegria para a ‘aldeia Brazil’. Os experimentos feitos no espaço, não obstante já terem sido feito pelos EUA e Rússia como curiosidade de décadas passadas, poderiam ter sido encomendados (a um custo expressivamente menor) para se ter o mesmo resultado.

E, passada a alegria (especialmente de cada bauruense) de Marcos Pontes ter ido ao espaço, o que teremos: o programa espacial brasileiro continua estagnado, o Brasil não consegue se acertar com suas obrigações internacionais e teremos ficado R$ 22 milhões mais pobres. Antes que eu seja crucificado de ponta cabeça em praça pública, esclareço que nada tenho contra a pessoa incrível e profissional respeitado que é nosso bauruense Marcos Pontes, assim como Ozires Silva e outros nomes que nos enchem de orgulho. O problema é federal mesmo, de um governo caótico e corrupto que não administra.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173