08 de julho de 2026
Internacional

Teerã denuncia ameaça dos EUA

Folhapress
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Teerã - Às vésperas da reunião em Paris dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que estudam sanções contra o programa nuclear, o Irã enviou ontem mensagem ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em que denuncia os Estados Unidos pela ameaça de bombardear suas instalações, o que seria “uma perigosa violação das leis internacionais”.

A iniciativa marca uma reviravolta pela qual o Irã procura se tornar vítima, em meio à crise aberta por sua insistência em enriquecer urânio e não entregar informações ou permitir inspeções que engavetem a suspeita de que seu verdadeiro objetivo é o de construir a bomba atômica. Na carta a Annan, redigida em termos duros, o embaixador iraniano na ONU, Javad Zarif, acusou os EUA de levantar “falsos pretextos” e evocar o uso da força “por meio de uma política agressiva” de “ameaças insolentes”.

George W. Bush, indagado em 18 de abril se usaria ogivas nucleares contra alvos iranianos, respondeu que “todas as opções estão sobre a mesa”. Mas insistiu que a diplomacia permanecia a ferramenta preferencial para resolver o litígio com o Irã. “Diante do comportamento ilegal no passado dos EUA, essas afirmações são bastante graves e requerem uma resposta enérgica das Nações Unidas e do Conselho de Segurança”, disse Zarif.

O Irã desrespeitou o ultimato que expirou na última sexta para cessar a produção de combustível nuclear. Relatório do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o acusou explicitamente de não fornecer informações que justificassem sua suposta intenção de uso pacífico da energia nuclear. Em palestra na Universidade de Teerã, o negociador nuclear iraniano, Ali Larijani, disse que seu país permanecia “disposto a toda forma de negociação para a defesa de nossos direitos”.

Esses direitos significam, para o Irã, a possibilidade de enriquecer urânio, o que não é proibido pelo TNP (Tratado de Não-Proliferação). Mas a questão se complica por inexistirem evidências de que o combustível só seria utilizado para a produção de eletricidade.