11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Vacina contra aftosa está até 20% mais cara

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Os criadores de gado vão sentir no bolso reajustes de até 20% no preço da vacina contra a febre aftosa. Cada dose está sendo comercializada entre R$ 1,10 e R$ 1,20, enquanto no ano passado o custo não ultrapassou R$ 0,99.

A primeira etapa da vacinação começou ontem, e apesar da dose estar mais cara, a procura foi satisfatória nas casas de produtos agropecuários. A segunda etapa do ano será realizada em novembro.

Messias Santana, sócio-proprietário de uma casa especializada em Bauru, já vendeu 20 mil doses do total de 100 mil que tem no estoque. “O pecuarista, com certeza, está mais preocupado com a doença (febre aftosa) que nos anos anteriores, o que tem estimulado as compras. Pelo menos por enquanto, o movimento é atípico. A demanda está muito grande mesmo”, comenta o empresário.

Santana também destacou que a expectativa é comercializar o mesmo volume de 2005. Porém, para o faturamento as estimativas não são otimistas. “A vacina nos custa R$ 0,98 (a dose). Então, ao considerarmos que o produto precisa ser armazenado numa geladeira específica, que é necessário dispor de gelo para entregá-lo, além de emitir nota fiscal - porque é obrigatório -, o lucro obtido é mínimo. Se empatarmos (com 2005), está de bom tamanho. Normalmente o desempenho é negativo”, explica.

Canalliel Correa de Moura, diretor comercial de outra loja especializada em Bauru, espera vender 40% das 120 mil doses que tem em estoque até a primeira quinzena deste mês. A maior procura, diz ele, ocorrerá após esse período. No entanto, Moura acredita que conseguirá atender toda a demanda, já que a quantidade do produto disponível em sua loja neste ano é praticamente a mesma de 2005.

Ontem, segundo ele, foram vendidas 7 mil vacinas no estabelecimento, o equivalente a 6% do total. O reajuste de preços na loja foi de 10% em relação ao ano passado. Cada dose do produto está sendo vendida a R$ 1,10, enquanto em 2005 o valor venal foi de R$ 0,99.

“Creio que agora a procura (pela vacina) voltou ao normal. A campanha passada foi atípica porque houve o surto (de febre aftosa) no Mato Grosso do Sul. Então, todo mundo resolveu vacinar entre a primeira e segunda semanas da campanha. Não é o caso hoje”, ressalta Moura.

Ontem, as doses também corresponderam ao maior volume de vendas na casa de produtos agropecuários de Gustavo Guelpa, em Bauru. O empresário disponibilizou 60 mil vacinas e já comercializou 12 mil, ao preço de R$ 1,10 a unidade. Em 2005, o produto em seu estabelecimento era vendido a R$ 0,98.

Até o fim da campanha, Guelpa espera adquirir mais 40 mil doses para comercialização. “Vai depender do laboratório fornecedor, que no momento não tem o material para entregar. Por enquanto, a procura está dentro do esperado. Na campanha passada o produtor estava mais preocupado, agora a preocupação é mais legal”.

Nova composição

A principal explicação do mercado para a alta do preço das doses é a mudança da composição da vacina, que ficou mais resistente para o combate à doença.

Até o próximo dia 31, bovinos e bubalinos devem receber a vacina em todo Estado de São Paulo. Em Bauru, segundo o Escritório de Defesa Agropecuária (EDA), estão cerca de 65 mil animais do total de 505 mil existentes na região - que abrange 15 municípios.

No ano passado, na segunda etapa da vacinação, a área do EDA atingiu 99,9% de cobertura vacinal. Atualmente, o rebanho brasileiro possui 197,8 milhões de cabeças de gado e mais de um milhão de bubalinos.

Os pecuaristas que imunizarem seu rebanho devem entregar no EDA, até o dia 7 de junho, a declaração que confirma a aplicação da vacina nos animais. Quem não imunizar o gado pagará multa de R$ 70,00 por animal. Quem imunizar, mas deixar de comunicar o EDA, será penalizado com multa de R$ 42,00 por cabeça.