A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Departamento de Engenharia Naval da Universidade de São Paulo (USP) formaram uma parceria para tornar a indústria naval brasileira mais competitiva ao longo dos anos, com padrões internacionais de produção.
“A idéia é organizar a cadeia produtiva para torná-la permanentemente competitiva, do aço ao navio”, diz José de Freitas Mascarenhas, presidente do Conselho Temático de Infra-Estrutura da CNI.
E o Brasil, na opinião dele, tem condições para isso, porque é grande produtor de aço, possui indústrias desenvolvidas de eletrônica e de bens de capital, além de ter uma costa extensa, que permite gerar demandas.
A indústria naval é considerada importante para qualquer economia por envolver diversos setores no processo produtivo. Segundo Mascarenhas, essa indústria foi desmontada em vários países a partir dos anos 70 por causa de mudanças na economia mundial. Hoje, cerca de 14 países conseguiram reestruturar o setor por meio de clusters, ou seja, tornando competitiva toda a cadeia produtiva da indústria naval. É o caso de Holanda, Coréia e Noruega.
A parceria da CNI com a USP prevê a montagem de cluster no Brasil. Para isso, a CNI está chamando para o diálogo associações empresariais e empresas com interesse no desenvolvimento do setor. Para ilustrar a baixa competitividade da indústria naval brasileira, Mascarenhas contou que, recentemente, a Petrobras fez uma licitação com a participação de armadores nacionais e verificou que os preços apresentados ficaram acima dos padrões internacionais.
Segundo Rui Carlos Botter, professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a USP terá dois anos para fazer um diagnóstico do setor, identificar gargalos e oportunidades de negócios e apresentar sugestões de políticas empresariais e públicas. “Serviços como transporte de cabotagem e hidroviário, além de outros segmentos, como cadeia de pesca, serão analisados sob a ótica da demanda para a indústria marítima”, explica Mascarenhas.
O estudo será financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). As áreas abrangidas pelo projeto são: construção e reparação naval, equipamentos marítimos, atividades offshore, navegação em águas interiores, pesca, esporte e lazer náutico, indústria militar naval, navegação marítima e fluvial, portos, sistemas de defesa, regulação setorial e meio ambiente.