09 de julho de 2026
Política

Estação da NOB pode virar shopping

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Nem o Executivo esperava, mas o decreto do início deste ano que tornou de utilidade pública o prédio da estação ferroviária, no Centro, precipitou o grupo Marca e o empresário Edmond Baracat, dono do shopping Pátio Brasil em Brasília (DF), a anunciar a aquisição da área em Bauru para instalação de projeto de Centro de Entretenimento, Lazer e Cultura no local. Baracat confirmou a aquisição do prédio e de uma área contígua de 17 mil metros quadrados, nas imediações da praça Machado de Mello, e a instalação de shopping e no local ontem, após reunião com o prefeito Tuga Angerami (PMDB), ontem, com investimento previsto de R$ 72 milhões para esta etapa.

Surpreso, o chefe do Executivo divulgou, em entrevista coletiva, que aceita revogar o decreto de utilidade pública - que garante à prefeitura utilizar a estação para projetos na área de educação - se o grupo Marca e o empresário assinarem a compra do imóvel do Sindicato dos Ferroviários, o que foi anunciado para 20 de junho próximo.

O projeto foi articulado entre o representante do grupo Marca, Avelino Cortellini, e o atual vice-prefeito, Renato Purini (PDT), desde 2001, quando este último era presidente da Câmara Municipal. O projeto foi elaborado e contou com aprovação dos órgãos de preservação do patrimônio histórico, mas o empresário Baracat decidiu investir em outro empreendimento em Brasília em razão da área ainda contar com pendência jurídica junto à massa liquidante dos imóveis da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

A proposta de aquisição da área, na época de quase R$ 4 milhões, foi acertada com o Sindicato dos Ferroviário, dono da estação em penhora de garantia trabalhista. “Há 15 dias o representante do grupo Marca nos procurou, através do Renato Purini, para demonstrar que queriam retomar o projeto, o que recebi com surpresa, porque já havia até proposto a compra da estação junto ao sindicato em três parcelas. Mas eu aceito revogar o decreto e liberar a estação coma viabilização do negócio que vai gerar empregos em escala e revitalizar o Centro”, contou Angerami.

Dados do projeto

O empresário Edmond Baracat, dono da rede Pátio Brasil, na capital federal, confirmou o investimento na cidade. “Como ficou pendente a liberação da estação na época, eu decidi investir na construção de um prédio que hoje abriga a nova sede da CEF em Brasília. Agora quero investir em Bauru, assumindo todo o aporte financeiro para um shopping center regional. Se houver interesse em parceiros locais, ótimo. Se não houver, eu invisto sozinho”, contou.

O centro de entretenimento ocupará uma área de 31 mil metros quadrados da antiga estação, que terá sua fachada preservada. O projeto completo prevê a construção de hotel de 200 apartamentos no terreno vizinho à avenida Machado de Mello, dois edifícios residenciais e 200 salas para escritórios. Conforme o projeto, o shopping estação abrigará três lojas âncoras, 150 satélites e estrutura de lazer com cinco salas de cinema e praça de alimentação. Ao lado da estação será construído estacionamento vertical com capacidade para 1.700 vagas.

O empreendimento pede investimentos de R$ 72 milhões no shopping. “Nosso cronograma é assinar a compra no dia 20 de junho próximo e lançar o projeto para construção no aniversário da cidade, em agosto. Depois disso, teremos previsão de 20 meses para conclusão do shopping, cuja inauguração estará prevista para o natal de 2008, ou antes, se for conveniente.”

Para viabilizar a integração do shopping ao Calçadão, a prefeitura concordou e mudar a estrutura viária na região da praça Machado de Mello, cuja rua em frente à fachada da estação ferroviária será eliminada. “Nós vamos manter o projeto original de fazer do shopping uma extensão do calçadão”, confirmou Baracat.

A coordenação financeira do investimento será realizada pelo Banco Fibra. Seu representante, Eduardo Machado, explicou que o banco ficará responsável pela estruturação financeira do negócio, incluindo captação de possíveis parceiros nas etapas previstas. “Primeiro vamos construir o shopping com estacionamento e a estrutura de lazer e isso dependia apenas do prefeito aceitar revogar a utilidade pública do prédio da estação”, finaliza o empresário.

O trilho central que passa no pátio da estação será mantido e estará disponível para receber trem de turismo. “A Maria Fumaça poderá passar por lá normalmente e vamos ter parque temático em um dos barracões onde hoje funciona o museu”, reforçou Cortellini, idealizador do projeto.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta, participou do anúncio do empreendimento e ratificou o apoio da entidade ao projeto. O diretor do Sindicato dos Ferroviários, José Carlos da Silva, também confirmou a negociação, avaliada em cerca de R$ 6 milhões, com os valores corrigidos.

“Nós vamos na assinatura da venda tentar aumentar o aporte inicial negociado porque já de passaram dois anos da proposta inicial. Para os trabalhadores é mais interessante porque vão receber mais rápido e isto envolve cerca de 14 mil metros quadrados da estação e outros 17 mil metros quadrados de terrenos ao lado, na mesma área”, menciona.