08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Quem é bom, já nasce feito!


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Tenho uma vizinha, que há alguns meses levou seu filho (18 meses) ao médico, pois ele estava com problemas respiratórios. O médico examinou a criança e perguntou se na casa havia animais domésticos. Diante da afirmativa da mãe, determinou que deveria ser retirado do convívio da criança. A solução trouxe alguns problemas, uma vez que sua outra filha (6 anos), iniciou processo depressivo com a ausência de seu cãozinho e seu gatinho de estimação.

Hoje, passados 12 meses, a criança paciente do médico em questão, continua tendo os mesmos problemas respiratórios, que encontram alívio, quando usada medicação indicada.

Pesquisadores da Universidade da Geórgia (EUA), acompanharam um grupo de 474 crianças de 0 a 7 anos. Desses, 184 foram criados com dois ou mais cães dentro de casa. Os outros, sem animais domésticos por perto. Os que tinham animais, eram 50% mais resistentes a alergias comuns, do que os que não tinham cães e gatos. “Isso é exatamente o oposto do que imaginávamos”, disse Dennis R. Ownby, chefe da seção de Alergia e Imunologia da Faculdade de Medicina da Geórgia, pesquisador responsável pelo estudo (2002). Eles acreditam que, com a maior exposição a taxas de bactérias, o sistema imunológico do ser humano desenvolve um padrão diferente de resposta, o que torna essa pessoa menos vulnerável a alergias. Quando li o resultado da pesquisa em referência, notei que apenas veio a reforçar o que na minha ignorância eu já deduzia. Não seria a simples presença de um animal que produziria em alguns efeitos que ocorrem também em quem nunca teve animais. A mesma conclusão da pesquisa já havia chegado o saudoso pediatra Omar Abdo, só que 25 anos atrás. Daí, o título de minha carta.

Os veículos de comunicação noticiam diariamente as catástrofes ocasionadas pela qualidade do ar (que envenenamos). Organizações do mundo inteiro debatem como reduzir a emissão de poluentes que agridem a natureza (terra, água e ar). Deve-se ter bom senso diante de tamanha desordem. Não seria um simples cão ou gato responsável pelas agressões que o corpo humano recebe de todos os lados. Não podemos e nem devemos ser simplistas. Senão persistiremos com a incoerência da leishmaniose. Continua-se matando os cães e o mosquito continua sem nenhum combate e entre nós.

Maria Dolores Barbosa Gómez