10 de julho de 2026
Regional

Decisão sobre crime de Marília deverá sair na próxima semana

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Marília - O promotor Jurandir Afonso Ferreira decidirá entre segunda e quarta-feira da próxima semana se apresenta denúncia contra os acusados da morte do estudante Rafael Camarinha, 23 anos, e qual será o tipo de denúncia. O estudante foi assassinado no dia 14 de março, dentro de casa, em Marília (100 quilômetros de Bauru).

O inquérito sobre o crime foi concluído esta semana pelo delegado Tadeu Rossi, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, e entregue anteontem ao promotor. A conclusão foi feita antes do prazo previsto para que o Ministério Público e o Poder Judiciário tivesse tempo de analisar o inquérito antes do vencimento das prisões temporárias dos envolvidos. Cinco suspeitos estão detidos.

De acordo com o delegado, as provas obtidas durante as investigações indicam que a morte do estudante foi conseqüência de um assalto malsucedido. “Os cinco acusados são réus confessos e todos deram a mesma versão para os fatos com detalhes distintos”, disse Rossi ao jornal “Folha de Marília”.

Mesmo assim, ele não descarta a hipótese do crime ter tido outra motivação. O pai do estudante, o ex-prefeito Abelardo Camarinha, sustenta desde o início que seu filho foi executado. Ele não aceita a tese de assalto. Segundo Rossi, se surgirem outras provas sobre o caso, elas deverão ser investigadas.

O ex-prefeito disse ontem que gostou do trabalho realizado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e DHPP. Segundo Camarinha, os policiais foram eficientes na identificação dos acusados. Entretanto, ele reafirma que a morte de seu filho foi encomendada.

“A família Camarinha espera agora que o mesmo trabalho eficiente seja realizado pela Justiça na identificação dos mandantes (do crime)”, disse o ex-prefeito. “Não houve assalto. O crime foi de execução”, afirma.

Candidatura

Durante a entrevista concedida ontem ao JC, Camarinha demonstrou disposição em dar seqüência à sua carreira política, apesar da morte do filho. Segundo acusação sustentada pelo ex-prefeito, Rafael foi morto a mando de adversários políticos.

De acordo com a estratégia traçada nesse momento, Camarinha deve se lançar candidato a deputado federal para fazer uma dobradinha com seu filho mais velho, Vinícius Camarinha, que tentará a reeleição, ambos pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O promotor Jurandir Afonso Ribeiro evitou fazer comentários sobre o inquérito que recebeu do DHPP. Segundo ele, a decisão tem como finalidade evitar comentários precipitados, já que a família da vítima e a imprensa estão acompanhando o caso de perto.

“Acompanhei diretamente grande parte das investigações, mas preciso de uma leitura mais minuciosa (do processo) para confirmar minhas convicções (sobre o crime)”, declarou o promotor.