08 de julho de 2026
Internacional

Vice-presidente dos EUA ataca Putin

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - As relações entre os Estados Unidos e a Rússia tornaram-se ontem particularmente tensas, quando o vice-presidente americano, Dick Cheney, acusou o presidente Vladimir Putin de recuar no processo de democratização e utilizar reservas de combustível para “chantagear” seus vizinhos. O Kremlin reagiu de pronto e qualificou as afirmações de “completamente incompreensíveis”. Foi a segunda vez em menos de 24 horas que um integrante do alto escalão de Washington tomou por alvo o governo russo.

Anteontem, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, colocou a Rússia entre os países em que não há liberdade de expressão. Afirmou também ser necessário que Moscou se reposicione em questões como o Oriente Médio -onde flertou com os palestinos do Hamas - e o Irã, contra o qual resiste em adotar sanções econômicas, em razão de seu controvertido programa nuclear. Cheney fez um longo discurso em Vilna, capital da Lituânia, em conferência que reuniu ex-Repúblicas soviéticas do Báltico e do Mar Negro. A Rússia não foi convidada.

Grigory Karasin, vice-ministro russo do Exterior, lamentou que seu país, ausente, tenha sido “vilipendiado” no encontro. Embora Cheney afirmasse que “nenhum de nós acredita que a Rússia está destinada a se tornar um inimigo”, ele acusou Moscou de estar “impropria e injustamente restringindo direitos de seu povo” e de estar adotando “ações contraproducentes” com os países da região.

Criticou o comportamento que “ameaça a integridade territorial de seus vizinhos ou interfere nos movimentos democráticos” que atuam dentro deles, numa menção indireta à Ucrânia e à Geórgia, nas quais, apesar das pressões explícitas de Moscou, os cidadãos escolheram pelas urnas governantes pró-ocidentais. “Não há interesse quando o petróleo e o gás se transformam em instrumento de intimidação e chantagem, seja pela ameaça de cortar fornecimentos, seja pela de monopolizar o transporte.”

Moscou atraiu fortes críticas internacionais no início do ano ao interromper o fornecimento de gás para a Ucrânia, em meio a negociações acirradas sobre preços. Na mesma época, a Rússia renovou em termos vantajosos seu contrato de gás com a Belarus, anteontem qualificada por Cheney de “a última ditadura na Europa”.