O fim dos subsídios mensais da Prefeitura Municipal de Bauru à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) eliminou a dependência financeira mas, de outro lado, gerou a necessidade de discussão periódica dos custos dos serviços prestados.
Ontem, o presidente da empresa, Renato Purini, se reuniu com o secretário municipal de Finanças, Edmundo Albuquerque dos Santos Neto, para advertir sobre o impacto negativo da reposição salarial sobre os custos internos, o que o levou a pedir reposição dos valores pagos pela prefeitura.
Como a Emdurb passou a receber da prefeitura apenas com base nas notas fiscais emitidas com valores e quantidades de serviços prestados, qualquer transferência de aumento nas despesas - como o vale-compra, abono e reposição da inflação - reflete nas planilhas.
“Nós viemos demonstrar ao secretário que o valor fixado para cada tipo de serviço prestado agora já sofre os reflexos dessas despesas que antes não recaíam sobre nós. A cada vez que o Executivo decide recompor o salário do funcionalismo, por exemplo, gera conseqüência imediata nas contas da Emdurb, que tem sua receita fixada por decreto pelos serviços que são cobrados em nota fiscal”, aborda.
Acompanhado do contador Paulo Gobbi, que acompanha o setor financeiro da Emdurb desde o início deste ano, Purini mostrou que a economia mensal de cerca de R$ 130 mil com folha de pagamento, obtida ao longo de 2005, se consumiu com a transferência do encargo pelo pagamento do vale-compra (cerca de R$ 80 mil/mensais) e a aplicação dos 5,03% de reposição da inflação, mais abono de R$ 50,00 e incorporação de outros R$ 50,00, conforme negociação salarial concluída no final do mês passado com os servidores.
“Até 2005, a prefeitura pagava o vale-compra dos funcionários da Emdurb e agora isso passou para a empresa. O abono e a reposição geraram custo de mais de R$ 70 mil/mês. Só com essas duas medidas executadas pela administração, nossas contas ficaram com saldo negativo de R$ 20 mil. O Edmundo pediu uma planilha detalhada dos gastos, com o impacto dos valores para discutir a recomposição do custo dos serviços”, explica Purini.
Ao final da reunião, por volta das 18h10 de ontem, Edmundo Albuquerque comentou que é evidente o reflexo da negociação salarial sobre a Emdurb, assim como sobre os demais órgãos do governo.
“Como a Emdurb agora é prestadora de serviços, é natural que eles apresentem as planilhas para a gente analisar e discutir o que pode ser feito. É necessário equilibrar os encargos a cada nova situação”, comenta.
Enquanto a recomposição não sai, Purini conta que outras despesas estão sendo reavaliadas. A empresa deixou de responder pelos aluguéis de três imóveis na rua Aparecida, onde funcionava o serviço de atendimento ao servidor (Sesmet).
A Emdurb também vai deixar de arcar com o aluguel de R$ 4,5 mil/mês do prédio onde funcionava a venda de passes, na rua Araújo Leite, hoje Companhia de Trânsito, e também discute com a Circunscrição de Trânsito (Ciretran) uma saída para deixar de custear o aluguel da sede no Jardim Contorno e também pretende resolver a pendência em relação a 11 servidores cedidos para o órgão estadual.