08 de julho de 2026
Geral

Mais de 200 crianças dependem do IR

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Mais de 200 crianças e adolescentes de Bauru ainda “aguardam” a oportunidade de participar das ações sócio-educativas ofertadas pelo programa “Nenhuma Criança na Rua”. Financiado com recursos do Imposto de Renda (IR) destinados por pessoas físicas e jurídicas, o programa tem como objetivo colocá-los na escola, além de garantir condições de reinserção no mercado de trabalho à família deles.

“Embora tenhamos um aumento de vagas, a demanda ainda é grande”, comenta Egli Muniz, titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Ontem, ela apresentou um balanço do programa, numa reunião promovida pelo Grupo Empresarial de Apoio à Criança e ao Adolescente. O grupo coordena na cidade campanhas para incentivar doações.

Pessoas físicas podem destinar até 6% do IR a pagar. Já as jurídicas, 1%. “Podemos arrecadar R$ 600 mil. Arrecadamos 1/3”, informa Olavo Pelegrina Junior, coordenador do GEA. De acordo com ele, no ano passado, foram recolhidos R$ 210 mil, valor 30% superior ao de 2004. A verba é repassada ao Fundo Municipal da Criança e Adolescente, gerido pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente.

Além do montante, o conselho ainda destinará neste ano outros R$ 80 mil ao programa “Nenhuma Criança na Rua”. A meta é ampliar os atendimentos. Para tanto, foi criada uma comissão para organizar um pit stop previsto para julho. Mais uma vez, a intenção é estimular as contribuições. Na oportunidade, motoristas receberão um folheto e um adesivo da campanha “Não dê Esmola, dê Escola e Cidadania”.

Para o GEA, esmolas em semáforos e cruzamentos realimentem o processo que leva crianças e adolescentes às ruas. O problema é agravado porque muitos deles tomam as principais vias do município para vender produtos diversos. Os rostos infantis e juvenis sensibilizam consumidores que, por sua vez, estimulam a comercialização e a permanência de meninos e meninas na rua.

“Temos de tentar mudar essa cultura (de que é melhor as crianças trabalharem do que cometerem delitos). Os pais não percebem os riscos a que (os filhos) estão submetidos (como prostituição e tráfico, por exemplo)”, acrescenta Elgi Muniz. Provavelmente, por pensarem desta maneira, a família de 41 crianças e adolescentes incluídos no ano passado no programa “Nenhuma Criança na Rua” resistem a aderir ao trabalho executado pela Sebes.

Do total de 495 crianças e adolescentes atendidos desde 2004, 166 inseridos no ano passado não participam de atividades sócio-educativas, assim como 64 encaminhados neste ano e que ainda passam pela fase preliminar do trabalho. Eles serão mais facilmente incluídos nas atividades previstas caso o trabalho do GEA continue evoluindo.

Criado em 1996, o grupo é composto por entidades empresariais, tais como Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Sindicato dos Contabilistas, Sindicato Rural, Receita Federal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras. Mais informações sobre como destinar parte do IR a pagar no site www.geabauru.com.br.