09 de julho de 2026
Nacional

Queda de helicóptero mata piloto em SP

Por Fábio Takahashi e Constança Tatsch | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Um helicóptero caiu ontem, por volta das 10h, em uma área de mata fechada na serra do Itapeti, em Mogi das Cruzes (região da Grande SP). O piloto, único ocupante da aeronave, morreu. Investigações iniciais apontam o mau tempo como motivo para o acidente.

O helicóptero (modelo Robinson 44, prefixo PT-YGG) era pilotado por Renato Pavão França, 32 anos, e havia saído de um heliponto em Arujá rumo à vizinha Mogi das Cruzes cerca de dez minutos antes do acidente. Na cidade, a aeronave buscaria um funcionário da empresa de cosméticos Max Love e o levaria a São Paulo.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), tanto a documentação do piloto quanto a da aeronave estavam em dia. Esse foi o décimo acidente do ano no País e o terceiro no Estado. Em 2005, ao longo do ano, foram 15 acidentes, sendo três em São Paulo. O Brasil conta com 997 helicópteros, 456 só em São Paulo. Há pouco mais de uma semana, um helicóptero caiu em uma rua na Lapa (zona oeste de São Paulo). Os três ocupantes - o piloto e dois funcionários da Eletropaulo - morreram.

Queda

No acidente de ontem, o helicóptero caiu em uma região de mata fechada. No local há muitos eucaliptos - alguns foram quebrados com a queda. “Quando chegamos, a mata ainda estava queimando”, disse o comandante do 2º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros de Mogi, Roberto Alboredo Sobrinho, que chegou ao local por volta de meia hora depois da colisão, após percorrer cerca de dois quilômetros. A queda foi vista por um lenhador.

Assustado com o barulho e com a fumaça, ele avisou os funcionários de uma pedreira local, que ligaram para os bombeiros e para a polícia. “Tudo indica que o motivo foi a neblina, que estava muito baixa”, disse o capitão da Polícia Militar Alcides Dias Correia Neto. Para ele, o piloto, sem visibilidade, pode ter batido contra os eucaliptos e perdido o controle da aeronave.

O aparelho ficou totalmente destruído, e o corpo do piloto, carbonizado. Equipe da Anac chegou ao local por volta das 16h para fazer a perícia. O levantamento dos dados deve ser apresentado em até dez dias. Depois será montada uma equipe multidisciplinar para investigar todos os fatores e determinar as causas do acidente.

O comandante Carlos Alberto Artoni, presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero, também acredita que a neblina tenha causado a queda. “Essa região fica assim mesmo nessa época. Tem neblina muito forte.” A decisão de levantar vôo caberia à “experiência do piloto”, pois, segundo ele, o Robinson 44 é um helicóptero que exige contato visual, ou seja, não está equipado com instrumentos que permitam o vôo à noite ou de madrugada.

O proprietário do heliponto Comandante Dantas, Airton Dantas, onde o helicóptero ficava havia seis meses, disse que a aeronave havia passado por inspeção recentemente e que o piloto tinha “bastante experiência”.