10 de julho de 2026
Nacional

País inaugura enriquecedora de urânio

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, inaugurou ontem o primeiro módulo da fábrica de enriquecimento de urânio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende (RJ), e defendeu a construção de Angra 3. Com o início da produção nacional, o Brasil passa a integrar o seleto grupo de países que dominam esta tecnologia. O urânio brasileiro, extraído das minas de Caetité (BA), tem sido enriquecido na Europa, após ser transformado em gás, no Canadá.

A previsão é que a primeira etapa do projeto, quando concluída, atenda a 60% das necessidades das usinas Angra 1 e Angra 2. Com isso, o país economizará, a cada 14 meses, aproximadamente US$ 12 milhões. Serão construídos, ao todo, quatro módulos. A energia nuclear é responsável por mais de 40% da eletricidade consumida no Estado do Rio de Janeiro e 20% no Sudeste. “Tenho certeza de que o presidente Lula vai arcar com os pequenos ônus políticos junto aos ambientalistas e vai anunciar, ainda este ano, a retomada da construção da usina Angra 3”, afirmou o ministro em discurso. Enquanto Rezende discursava, os ambientalistas já reclamavam.

A ONG Greenpeace ironizou em nota que a inauguração tenha ocorrido uma semana após o aniversário de 20 anos do acidente de Chernobyl e disse que a iniciativa do governo é preocupante, “pois dá um sinal claro das intenções do governo de promover a tecnologia nuclear e levanta suspeitas da comunidade internacional sobre um potencial uso militar”.

Rezende ressaltou a importância da produção combustível nuclear, “num momento em que a questão do gás boliviano coloca em pauta o problema da segurança energética”. “Nosso país não pode desperdiçar oportunidades de atingir a auto-suficiência nessa área, que é importante, não só por conta da produção de energia, mas também por todas as outras aplicações, como nos fármacos, na indústria e na construção civil.” Em 2004, a fábrica de enriquecimento de urânio em Resende foi alvo de grande polêmica internacional.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fazia questão de inspecionar as centrífugas da fábrica para ter certeza de que as intenções do programa brasileiro era pacíficas. O Brasil não permitia a “inspeção visual” das centrífugas, alegando preservar a tecnologia nacional.

Depois de meses de negociação, o governo possibilitou melhores condições de visibilidade de tubos, válvulas e conexões, por onde entra e sai o material, mas sem demonstrar os principais segredos do enriquecimento.