09 de julho de 2026
Internacional

UE propõe fundo de ajuda a palestinos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Genebra - A União Européia propôs ontem que os EUA, a Rússia e a ONU se unam para criar um fundo para canalizar assistência humanitária para os palestinos, contornando o governo da Autoridade Nacional Palestina, liderado pelo grupo terrorista Hamas. Maior fonte de ajuda aos palestinos, a UE preparou pacote de emergência de 34 milhões (R$ 89 milhões) para educação e assistência médica que, segundo proposta, seria canalizado por meio do fundo.

O fundo seria administrado conjuntamente por UE, EUA, Rússia e ONU, que fazem parte do Quarteto que apóia o mapa do caminho, afirmou a comissária de relações externas da UE, Benita Ferrero-Waldner. A proposta deve ser examinada em reunião na próxima semana.

Segundo ela, o fundo permitiria que a comunidade internacional continuasse evitando um contato direto com o Hamas, sem deixar de assegurar a chegada de ajuda para os palestinos. Os EUA e a EUA cortaram toda a ajuda direta à ANP após a vitória do Hamas nas eleições de janeiro. Israel também cancelou os repasses de impostos coletados em nome da ANP.

Os cortes são uma medida de pressão para que o grupo terrorista, que prega a destruição de Israel, renuncie à violência. O Hamas se recusa a atender as condições. “Não queremos que esse governo (do Hamas) fracasse. Queremos que ele mude”, disse Ferrero - Waldner. O governo palestino tem alertado que sua economia pode entrar em colapso dentro de meses caso seja mantida a suspensão de recursos, usados para cobrir a folha de pagamento de cerca de 165 mil funcionários.

Ontem, milhares de palestinos protestaram na Faixa de Gaza e na Cisjordânia em apoio ao governo do Hamas, sob o lema “antes morrer de fome que colocar-se de joelhos”. “Cairão as cabeças de quem quer fazer cair o governo”, disse Hassen al Seifi, um dos líderes do Hamas na Faixa de Gaza.

De acordo com a UE, cerca de 109 milhões (R$ 285 milhões) em ajuda direta, comprometidos em cerca de 34 contratos com a ANP, foram congelados. Ao todo, a ajuda da UE soma 500 milhões (R$ 1,3 bilhão) anuais, dos quais metade vem do orçamento do bloco. Já as transferências suspensas por Israel somam cerca de US$ 50 milhões (R$ 102 milhões) por mês.

Crise humanitária

Ontem a Arábia Saudita, o Egito e a Jordânia disseram que irão pressionar o Quarteto para encontrar formas de enviar recursos aos palestinos, evitando o que chamaram de uma iminente “crise humanitária”. “É importante que a assistência aos palestinos continue. Não podemos puni-los. Não se pode avançar se as pessoas estão enfrentando uma horrível situação humanitária”, afirmou o embaixador egípcio em Washington, Nabil Fahmy.

O Departamento de Estado reagiu, afirmando que o Hamas é o único responsável pelos problemas financeiros palestinos. “O princípio para nós continua o mesmo. Queremos lidar com as necessidades humanitárias do povo palestino, mas não vamos dar dinheiro a uma organização terrorista”, afirmou o porta-voz Sean McCormack.