09 de julho de 2026
Regional

18 cidades têm alta propensão à erosão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Os municípios de Agudos, Bauru, Piratininga, Avaí, Presidente Alves, Pirajuí e Balbinos, todas cidades vizinhas compondo uma longa faixa territorial, têm solo altamente propício para erosão. Na mesma situação, mas em pontos separados, estão São Manuel e Ibitinga. As cidades são apontadas como críticas para o processo erosivo pelo Relatório de Qualidade Ambiental do Estado de São Paulo 2006, elaborado por técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA).

A assessora-técnica Iracy Xavier da Silva, da Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental (CPLEA) da SMA, considera que as prefeituras têm de tomar medidas para brecar o agravamento dos processo erosivos. “Os municípios teriam de se preocupar. Eles têm a oportunidade com a elaboração do Plano Diretor. As cidades têm de enteder que o plano não é só para a área urbana. Cabe ao município definir que uso quer dar para o seu solo. É claro que a agricultura foge um pouco ao controle do poder municipal”, ressalta.

A região de Bauru está agrupada entre as bacias hidrográficas Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha. As duas bacias praticamente se equivalem em número de cidades. Porém, 13 municípios (39,4%) da bacia Tietê-Batalha apresentam alta propensão para erosão. Na bacia Tietê-Jacaré apenas cinco (14,4%) das cidades recebem a classificação “alta”.

O relatório utiliza três níveis – alto, médio e baixo – para classificar o potencial erosivo do solo. O estudo divide o Estado em Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHIs), tomando como referência bacias hidrográficas. Na bacia hidrográfica do Tietê-Batalha 18 cidades apresentam nível médio e apenas duas baixa.

Na bacia do Tietê-Jacaré, 19 cidades são consideradas de grau médio e dez localidades apresentam grau baixo. Bauru, Agudos, Ibitinga e São Manuel são classificadas com nível alto.

A Tietê-Jacaré tem como principais cursos d’água, além do rio Tietê, os seus afluentes rio Jacaré-Guaçu, rio Jacaré-Pepira, rio Claro, rio Lençóis, rio Bauru e rio Jaú. A bacia Tietê-Batalha tem como principais cursos d’água os rios Batalha, Dourado e São Lourenço.

O agrônomo da Prefeitura de Agudos Luiz Aleixo Cesarotti, 48 anos, explica que não foi de uma hora para outra que os processos erosivos passaram a comprometer extensas áreas de propriedades, como as da fazenda Gama e Silva em Agudos. Segundo ele, é certo que o manuseio inadequado do solo, suscetível ao processo erosivo, é responsável diretamente pela formação de crateras em diversos municípios.

Iracy Xavier da Silva define que para a região de Bauru é fundamental desenvolver um programa de combate à erosão. A SMA tem como uma das prioridades colocar em funcionamento no próximo semestre o Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA Rio Batalha). Ela adianta que a APA terá R$ 200 mil para elaboração do seu Plano de Manejo, que compreende zoneamento ambiental, diretrizes e normas para o uso e ocupação do solo e os Programas de Ação, que contemplam o combate a erosões. Segundo a assessora-técnica da CPLEA-SMA, nenhum produtor tem motivo para imaginar que terá restrições quanto ao uso da terra. “Quem decide como vai ser o plano de manejo são as entidades e a sociedade.

Os recursos para a APA do Rio Batalha vêm em forma de compensação ambiental pela instalação de torres de energia de alta tensão da linha que vai de Londrina, no Paraná, até Araraquara, instaladas em áreas de Bauru. Conforme Silva, a data para que o empreendedor privado libere os R$ 200 mil ainda não está definida. Atualmente, o processo está na fase de licenciamento ambiental da obra com a elaboração do termo de compromisso.