08 de julho de 2026
Regional

Perda de solo pode ser irreversível

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

A degradação do solo pela erosão pode ser irreversível e é resultado das intervenções do homem na natureza, ocorrendo ao longo do processo de uso e ocupação das áreas. Essas duas constatações são destacadas na análise da degradação ambiental apresentada no Relatório de Qualidade Ambiental do Estado de São Paulo 2006, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

A avaliação situa os últimos 50 anos como período marcado por mudanças mais bruscas e que provocaram diversas alterações no território paulista.

No município de São Manuel, duas erosões com mais de 20 anos insistem em tirar o sossego dos moradores. O prefeito, Flavio Massarelli Silva (PSB), explica que 70% das áreas erodidas foram tampadas. Uma das erosões fica no Parque Recreio, onde foram jogados durante anos restos de construção civil para conter a degradação do solo, prática comum mas reprovada pelos especialistas. O local é densamente habitado e gera problema para os moradores com o lixo e outros dejetos sendo depositados clandestinamente na erosão. A prefeitura pretende urbanizar o terreno com implantação de guias e sarjetas e instalação de galerias para escoamento das águas.

Na zona urbana de Agudos se constata o impacto negativo dessas transformações. A comunidade convive com uma erosão antiga formada em área próxima ao leito da rua 29 de Julho, Centro da cidade. O agrônomo da Prefeitura de Agudos Luiz Aleixo Cesarotti explica que, após as fortes chuvas do início deste ano e que fizeram estragos em vários municípios da região, a cratera voltou a aumentar e arrebentou uma tubulação de esgoto, com os dejetos sendo despejados atualmente na calha formada pelo desgate do solo.

O estudo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente afirma que o desenvolvimento das erosões urbanas ocorre, a exemplo de Agudos, pela implantação de conjuntos habitacionais e loteamentos em áreas inapropriadas; desmatamento; crescimento acelerado e desordenado da população concentrado nas periferias das cidades; proliferação de sub-habitações por falta de políticas públicas habitacionais e de saneamento ambiental; construção de cidades em áreas mais altas das colinas ou próximo; e inexistência de planos diretores ou leis de parcelamento do solo urbano.

O levantamento do número de erosões de grande porte em todo o Estado de São Paulo, iniciado em 1985, mapeou cerca de 750 em solo urbano e 7.000 distribuídas em todo o Estado.

A análise dos dados estabelece um índice de criticidade dos municípios quanto à possibilidade de desenvolvimento de processos erosivos. O resultado mostra que 183 municípios foram considerados de alta criticidade, 352 de média criticidade e 110 de baixa criticidade. A região de Bauru está localizada no Oeste Paulista, onde está a maior parte dos municípios considerados de alta criticidade (cerca de 28%). Enquanto que a maioria dos municípios do Estado (55% do total) foi considerada de média criticidade. Apenas 17% das cidades paulistas (cerca de 110) foram apontadas como de baixa criticidade.

Para dimensionar área de risco, a bacia do Tietê-Jacaré foi agrupada com as bacias dos rios Piracicaba-Capivari-Jundiaí, Pardo, Mogi-Guaçu. Chama a atenção o estudo ter mapeado para determinação de risco de erosão apenas 14% do total da área da bacia Tietê-Jacaré, onde estão Agudos, São Manuel e Bauru. Enquanto que 90% da bacia do Piracicaba-Capivari-Jundiaí foi mapeada. A bacia Tietê-Jacaré possui 11.537 quiômetros quadrados, sendo que apenas 1.703 quilômetros quadrados (14%) foi mapeado.

O próprio estudo considerou que o mapeamento da bacia “corresponde à porção pouco significativa do levantamento, não sendo possível fazer uma avaliação mais precisa da degradação da bacia em relação à ocorrência de áreas de risco”.

Por apresentar baixo índice de mapeamento, os resultados do estudo no quesito áreas de risco podem subestimar o problema na região de Bauru. O quadro de áreas de risco aponta coincidentemente uma maior concentração de pontos na bacia Piracicaba-Capivari-Jundiaí – total de 287 áreas – enquanto que na Tietê-Jacaré são apontadas apenas duas áreas de risco.

Agudos apresenta a maior proporção de vegetação natural com 11,8%, que representam 11.278 hectares de uma área total de 95.500 hectares. Enquanto os menores índices de presença de mata natural estão nos municípios de Igaraçu do Tietê e Itapuí. Igaraçu possui apenas 0,2% (20 hectares) de vegetação remanescente de um total de 9.000 hectares de área. Itapuí também preserva apenas 0,2% de mata nativa (25 hectares) de um total de 14 mil hectares de território.

Desde 2004 a Secretaria Estadual do Meio Ambiente divulga informações visando, principalmente, fornecer subsídios para políticas públicas que norteiem o desenvolvimento sustentável dos municípios.