10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mesmo com poucas ações, Bolsa de Valores pode ser vantajosa

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Investir em Bolsa de Valores está deixando de ser opção apenas de grandes empresários. Pessoas com menor poder aquisitivo estão, cada vez mais, aderindo a essa forma de investimento. Em Bauru, segundo corretores de valores, a atividade cresceu cerca de 50% nos últimos anos, índice considerado um aumento bastante significativo.

O mercado avalia que o estereótipo de “bicho-de-sete-cabeças” criado sobre a Bolsa de Valores está caindo por terra. Especialistas também acreditam que as pessoas estão enxergando melhor as vantagens dessa alternativa, que na verdade trata-se de uma associação civil de compra e venda de ações de companhias. Essas ações correspondem a pequenas partes de uma empresa. Com uma ou várias delas, o investidor torna-se sócio do empreendimento. A Bolsa não tem fins lucrativos, mas dispõe de autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

Pode parecer estranho, mas a aplicação mínima, atualmente, é cotada em R$ 2,37, valor equivalente a uma ação. Isso significa que o investidor, embora em menor proporção, tem os mesmos direitos que os demais, inclusive daqueles que disponibilizaram maior soma de dinheiro e, conseqüentemente, conseguem mais ações.

O preço do mercado acionista varia muito. Atualmente, existem ações que custam R$ 165,00, outras R$ 973,00, e assim por diante. O valor do investimento fica limitado ao preço de cada ação. Os planos mais viáveis são apresentados pelos analistas, que checam constantemente as ofertas de compra e venda na Bolsa.

Quem investe abaixo de R$ 10 mil é considerado pequeno investidor, porém, trata-se de uma boa quantia para o começo. Entretanto, ao disponibilizar este valor o investidor pode ficar sujeito a ser acionista apenas de uma empresa e, assim, dependente da oscilação provocada pela instabilidade do setor ao qual faz parte.

“Se você tem um capital maior, a possibilidade de mobilidade (compra de ações de várias empresas) é maior. Acredito que com R$ 10 mil é possível fazer uma diversificação entre dois ou três setores”, destaca Lúcia Silva, corretora de valores em Bauru.

Ela ainda explica que essa pluralidade na hora de comprar ações pode ser fundamental para evitar perdas por conta da constante oscilação do mercado. Seria uma maneira do investidor se precaver.

“Se você compra ações de apenas um setor e, eventualmente, ele apresenta queda de valorização, passa a ser desvantajoso para o investidor, que não tem como tentar reagir porque não é acionista de outras empresas. O problema do pequeno investimento na Bolsa de Valores é esse”, aponta Silva.

Clube de investimentos

A corretora aconselha o clube de investimentos (grupo de pessoas físicas que investem juntas em mais de uma empresa) para quem não tem condições ou interesse em poupar somas superiores a R$ 10 mil. A alternativa diminui os riscos que tem o acionista de uma única empresa e os custos de corretagem, que variam de acordo com o valor movimentado e passam a ser menores, já que a cobrança não é individual.

Entretanto, para investir em Bolsa de Valores é preciso paciência, muita paciência, alertam os corretores. A prática só pode oferecer um retorno financeiro considerável a longo prazo. Mesmo assim, independentemente do valor aplicado, a rentabilidade é garantida sobre qualquer outro plano, dizem os especialistas consultados pela reportagem.

“Não podemos visualizar a Bolsa em curto prazo. Os resultados não são imediatos. Para quem pretende aplicar um dinheiro que 12 meses depois espera usar na construção de uma casa, aconselho fazer outro plano de investimento. As ações oscilam dia a dia. Se a economia do País sofrer algum impacto próximo dos dias em que o capital vai ser resgatado, com certeza o risco desse investimento estar negativo é grande”, observa Silva.

No entanto, o dinheiro aplicado pode ser resgatado a qualquer momento, apesar da rentabilidade não ser garantida quando o procedimento é efetuado sem previsão.

Para fazer qualquer tipo de aplicação na Bolsa, é necessário procurar uma corretora de valores, membro da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa). O futuro acionista tem de apresentar documentos básicos como identidade, CPF e comprovantes de residência e renda.

De acordo com Silva, o cadastro é concluído no mesmo dia em que a documentação é apresentada, mas a operação, isto é, a liquidação da compra de ações, só é finalizada três dias depois. O prazo é válido tanto para o recebimento na venda quanto para o pagamento na compra.

A corretora de valores salienta que é recomendável investir em setores que estejam em alta no momento da pretensão da compra de ações. “Hoje, por exemplo, eu sugeriria investir em empresas de setores ligados ao consumo e à construção, como mineradoras, siderúrgicas e grandes redes supermercadistas”, diz Silva.