09 de julho de 2026
Esportes

Tricolor pode derrubar o 15º técnico do arqui-rival

Da Redação*
| Tempo de leitura: 3 min

São José do Rio Preto - Parece perseguição. Talvez seja mesmo. Mas, por incrível que pareça, novamente um técnico do Corinthians está na alça de mira antes de enfrentar o São Paulo. O clube do Morumbi se especializou em derrubar treinadores do arqui-rival do Parque São Jorge.

Ao longo da história, foram 15 vezes, com 14 treinadores - Dino Sani foi demitido duas vezes. O último a cair foi Antônio Lopes, após derrota por 2 a 1 no Campeonato Paulista deste ano. O ameaçado hoje, no clássico que será disputado em São José do Rio Preto, é Ademar Braga.

Embalado no Campeonato Brasileiro, com seis pontos, e na Libertadores - está nas quartas-de-final -, o clube do Morumbi vai enfrentar um time abatido por ter fracassado novamente no principal torneio interclubes da América. “É uma feliz coincidência eles perderem o técnico sempre contra a gente”, afirmou o superintendente de futebol são-paulino, Marco Aurélio Cunha.

O cartola do São Paulo, aliás, é um dos que exibem o cartel de provocações contra os rivais. Cunha zombou da eliminação corintiana na Libertadores. Foi acompanhado pelo meia Souza que, com os dedos, mostrou, ainda no CT, o placar de 3 a 1 da derrota corintiana para o River Plate. Antes disso, ele havia provocado os corintianos dizendo que o clube deveria rezar para não jogar contra os são-paulinos no torneio continental.

Os corintianos, por meio de seu capitão, o atacante Carlitos Tevez, responderam. Ele disse que os são-paulinos estavam com medo de enfrentá-los. Cunha rebateu, dizendo que Tevez primeiro precisa vencer um jogo e marcar contra o São Paulo. O argentino ainda não fez gols contra o rival de hoje e tenta quebrar o tabu de sua equipe contra o clube do Morumbi.

Desde 2003, o Corinthians não bate o São Paulo. Desde então, foram nove jogos, com seis vitórias e três empates. O trauma fez o presidente corintiano, Alberto Dualib, dizer que, se fosse para demitir Braga, teria de fazê-lo antes do clássico. Em hipótese alguma, disse, ele cairá em caso de revés hoje. Não quer dar o gosto aos rivais.

A pressão pela queda do técnico, porém, se intensificou. Dirigentes do clube reclamam que Braga não tem comando. “Enquanto os jogadores mandarem no time, o Corinthians não vai a lugar nenhum”, acredita o conselheiro Rubens Gomes. Braga já disse que não pedirá demissão. “Acho que esse jogo pode ser ótimo. É nossa chance de reabilitação”, afirma ele, confiante, sobre o time que soma só três pontos no torneio nacional.

Sem problemas e na condição de atual campeão da Libertadores, o time do Morumbi sonha em levantar a taça do Brasileiro, que não conquista desde 1991. “A diretoria quer um time bem competitivo. O Brasileiro tem que ser considerado uma prioridade, pois se o São Paulo sair da Libertadores, o time fica em uma posição tranqüila para brigar pelo topo”, diz Cunha.

“A rivalidade sempre fala mais alto mesmo. Quando eles [rivais] perdem ficamos felizes. É importante jogar para ganhar também pela nossa posição no campeonato”, disse o zagueiro Lugano.

Porém, a ordem da diretoria e da comissão técnica foi para que os jogadores fossem comedidos nas entrevistas. O lateral-direito Souza, um dos especialistas em provocar os adversários, evitou as entrevistas nos últimos dias. “A confusão que a torcida do Corinthians provocou é um sinal de que todos nós, que lidamos com o futebol, precisamos medir bem nossas palavras”, ponderou o técnico Muricy Ramalho. “Se não, o futebol vai se tornar uma guerra.”

Os jogadores evitam provocar o Corinthians, mas não ficaram tristes com a eliminação do rival da Taça Libertadores. “Não adianta ser hipócrita: eu sou são-paulino, e todos os são-paulinos ficam contentes quando um rival perde”, disse o zagueiro Lugano. “O mesmo acontece quando nós somos derrotados. É a rivalidade.”

*Com Folhapress e Agência Estado