São 60 anos de história nos quais 11 mil jovens escreveram pelo menos uma linha. Uma escola de civismo e cidadania que deixa recordações para a vida toda. Nem parece que a descrição acima trata-se do Tiro de Guerra (TG) de Bauru. Mas ao contrário do que muitos pensam, o dia-a-dia no TG não é nenhum “bicho-de-sete-cabeças”. Receber ordens, limpar o chão, cuidar da farda e da bota são atividades comuns aos atiradores, mas o companheirismo, amizade, disciplina são as experiências mais marcantes para aqueles que estão passando pelo treinamento e os que lembram-se da época em que eram atiradores.
O esforço de acordar cedo – as atividades começam às 6h – representa um desafio, mas assim que deixam suas casas e chegam ao TG, os atiradores soldados Rodrigues, Rossi e Ribeiro encontram-se com outros 47 colegas. São duas turmas que recebem treinamento por nove meses, cada uma com 50 jovens.
Eles começaram as atividades no início de março. Com dois meses, já passaram por situações engraçadas e aprenderam a ter mais disciplina e prática de cidadania. A partir deste mês, participam da campanha do agasalho, no qual auxiliarão na distribuição das doações às famílias carentes.
Em atitude de solidariedade, doaram sangue ao Hemonúcleo de Bauru, em março. “Foi a primeira vez que consegui doar sangue. Com certeza vou continuar colaborando depois que sair do TG”, afirma Sérgio Rodrigues Neto, 19 anos, conhecido por Rodrigues. Antes mesmo de entrar no TG, ele já pensava em seguir carreira no Exército. Agora, tem certeza. “A organização pessoal e o sentimento do dever me dão vontade de continuar na carreira”, conta.
Quando chegou no TG, o atirador Pedro Vinicius Rossi, conhecido por Rossi, não sabia separar o lixo reciclável. “Aprendi que é fácil e cada um pode fazer sua parte”, conta. Cuidar da farda e das botas também não faziam parte da rotina de Danilo Ribeiro Brandão, conhecido, agora, por atirador Brandão. “Não dá tanto trabalho, mas com certeza foi algo que aprendi aqui dentro (TG)”, diz.
Em ambiente de disciplina também sobra espaço para brincadeiras. “O pessoal está sempre fazendo piada e se divertindo. Somos todos amigos”, garante Rodrigues. Em uma situação engraçada que aconteceu nas últimas semanas, um atirador foi explicar qual seria o alcance de um tiro de fuzil. “Para dar o exemplo, ele disse que o tiro poderia atingir até o sargento. Todos riram, mas não sei se o sargento ficou contente com a comparação”, brinca.