O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, ultimamente em programas pagos de rádios em emissoras, estava travestido de paladino da moralidade. E tal como uma pandora insensível, ameaçava todos os outros presidenciáveis com a sua terrível caixinha de males acompanhada da sua língua absolutamente insensível.
Mais diz o dito popular de que o lobo perde o pelo, mas não perde o vício. A perfomance hipócrita de Garotinho veio por terra com as denúncias veiculadas pela Revista Veja e pelo O Globo, que mostraram para todo o Brasil, com documentos, que empresas faturavam milhões de reais sem licitações e com a anuência da governadora Rosa Garotinho. E pior. Essas empresas que prestavam serviços no mínimo discutíveis, colaboravam com dinheiro para a campanha de Anthony Garotinho no sentido do mesmo tentar a cadeira presidencial.
O ex-governador e presidenciável, ao invés de apresentar documentos para se defender das graves acusações que lhe pesam, teve a pachorra de entrar em regime de greve de fome. E pra abrir mão dessa patifaria exige um espaço enorme na grande midia brasileira e o acompanhamento internacional das nossas eleições presidenciais. Só faltou pedir a cabeça do Ronaldinho Gaúcho numa bandeja e exigir que o saci dançasse tango.
Lógicamente que depois de uma comédia desta, Garotinho com certeza perdeu a condição política e moral no sentido de angariar ou postular a cabeça de chapa de uma candidatura peemedebista ao Palácio do Planalto. Como o Geraldo Alckmin do PSDB não consegue emplacar e, segundo o Ibope, já começa a perder pontos para Lula em pleno Estado de São Paulo, crescem as chances do petista de levar as eleições no primeiro turno.Tudo vai depender da possibilidade do PMDB aceitar a condição de vice na chapa do atual presidente. O que, diga-se de passagem, hoje estaria de bom tamanho.
As próximas pesquisas vão demonstrar a alteração do quadro devido à saída de Garotinho e, dependendo da situação política em que estiver situado o Alckmin, vão aumentar as chances dos tucanos na convenção de junho trocarem o presidenciavél pelo José Serra. E aí o PSDB pode incorrer num grande risco: não ganhar de Lula e jogar por terra uma eleição quase que ganha no Estado de São Paulo. E tudo por causa da esquisitice do Garotinho, um vendilhão do templo que até pouco tempo pousava-se de cavaleiro do apocalipse e falso moralista. (Pedro Valentim)