Sem condições de participar de qualquer programa habitacional, Francisco Lopes da Silva, 35 anos, que veio de Parambu, Ceará aos 16, vive há dois anos no casebre de madeira construído com as próprias mãos, no Jardim Godoy. No barraco, ergueu paredes de tábua para separar os quartos, cozinha e sala que abrigam a mulher e as quatro filhas. E apesar de trabalhar desde menino, nunca teve serviço com registro em carteira.
Em volta do barraco, uma cerca feita caprichosamente com tábuas faz as vezes de murada. No quintal da frente, ele cria uma lebre. “As crianças adoram”, diz. O sorriso fácil no rosto marcado pelo sol, exibe a simplicidade e simpatia do rapaz. Muito orgulhoso da casa que construiu para a família, faz questão de mostrar à equipe de reportagem as fotos das filhas que enfeitam as paredes da sala.
Pouco antes do JC chegar à casa de Silva, ele e mais dois vizinhos tiveram de lidar com um incêndio que ameaçou o casebre. “Quando não é a chuva que desce o morro e entra na minha sala, é o fogo que quase me destrói o barraco”, conta, com os olhos irritados pela fumaça. Para sair da situação de morar numa casa de madeira, construída com restos numa área irregular, não é tão fácil quanto foi chegar a isso. “Morávamos numa casa boa, de aluguel. Mas o serviço foi rareando e aí, ou arruma dinheiro para pagar aluguel, ou para almoçar. Tivemos que vir para cá”, lembra.
“Quando muito, consigo uns R$ 120,00 na semana. Vivo de bico de pedreiro, encanador, eletricista, servente, o que aparecer”, conta. Sem condições de comprovar renda, sem endereço formal e sem estudo, Silva conta que nem procura os programas de habitação para baixa renda. “Mas se tiver jeito de sair daqui, mesmo que a casa seja menor, a gente vai”, garante.
Enquanto espera as filhas voltarem da escola, ele mostra o quintal, que tem até um pequeno açude. “Ali tem tilápia e cascudo. As meninas adoram, você precisa ver”, diz. Repleto de árvores, o lugar tem até cadeira com guarda-sol e móbiles feito com CDs pendurados por Silva em cada planta. Tudo para agradar as filhas.