10 de julho de 2026
Nacional

Banda Hateen lança o álbum ‘Procedimentos de Emergência’

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

“Onde você estava em 1997?” Essa frase apareceu estampada em lambe-lambes em muros de SP no final do ano passado. Na seqüência, “1997”, um hardcore melódico que narrava uma desilusão amorosa, começou a tocar sem parar na MTV e nas rádios de rock. Em três meses, foi parar entre as dez mais pedidas, ao lado de hits de Pitty e do CPM22. Seu autor, Rodrigo Koala, vocalista da banda Hateen, é a nova aposta de Rick Bonadio, o produtor que “criou” o Mamonas Assassinas e está por trás de discos do CPM22, Charlie Brown Jr. etc.

“Ele (Koala) é um hitmaker”, afirma Bonadio. “Penso em uma carreira longa para o Hateen.” Longa, na verdade, a vida da banda já é. Há 12 anos tocando no underground paulistano, o Hateen cansou de ser a sombra do CPM22, grupo com quem divide o baterista, Japinha, e preparou um disco - e estratégia de marketing - com novo repertório, agora em português. Isso foi o bastante para que, dos porões e casas de rock alternativas, como o Hangar 110, o Hateen fosse parar em palcos para 5.000 pessoas para o lançamento do novo CD, “Procedimentos de Emergência”.

Esse é o sétimo disco do grupo, considerado da velha-guarda do “emocore”, vertente do hardcore mais melódica, com letras de amor. Cada um deles vendeu, em média, 5.000 cópias. Agora, eles se preparam para “hypar”. Um termômetro disso é a comunidade do Hateen no site de relacionamentos Orkut, que pulou de 3.000 fãs, em outubro, para mais de 10 mil, atualmente.

“É um recomeço. Todo o esforço que fizemos na fase underground existe, mas temos total noção de que é uma nova carreira”, afirma Koala, 33 anos. “Foram 12 anos para formar uma musicalidade e agora fazer valer tudo o que gente já tocou na vida.” Os vários anos ensaiando na garagem se fazem sentir no álbum, que traz letras maduras, bem elaboradas, acima da média das outras bandas de emocore.

Os destaques são faixas como “Inferno Pessoal” (“Estou de volta ao meu inferno pessoal/ por muito tempo achei que isso era normal/ estou de volta onde tudo começou...”) e “Uma Vida sem Saudade” (“E, de repente, tudo é escuridão/ já não tenho mais os sinais pra me guiar/ se a queda é certa, o que me resta é tentar...”).

“A gente está adorando cantar em português”, conta Koala. “É bom fazer o show e ver que as pessoas estão entendendo. Em inglês, ninguém entende bulhufas.” Os fãs das antigas, diz ele, torceram o nariz com a fase mais pop. “Normal, é a milícia do rock underground”, compara. “A gente sempre quis viver de rock. Unir o útil ao agradável foi o melhor podíamos fazer.”

Koala afirma que, mesmo agora, o Hateen não descarta o peso: “Existe uma nuance de sonoridade que é o rock pop e o pop rock. No nosso caso, mesmo com a veia pop forte, o rock ainda é a palavra da frente”.