Quando estudante, toda vez que trazia para casa os antigos boletins ou cadernetas com boas notas (o que, sem falsa modéstia, era muito freqüente), meu pai se limitava a dizer: “não fez mais do que sua obrigação”! Em sua lógica, que não entendia, mas hoje entendo perfeitamente, minha profissão de estudante acarretava deveres de bem fazer meu ofício, o que traria necessariamente bons resultados. E por ser minha obrigação, não fazia sentido o aplauso.
Tal lembrança me vem à memória quando, encerrada a greve dos municipiários, nosso ilustre alcaide informa que começará um grande programa de recuperação da cidade, seja quanto aos alarmantes buracos (terror de nossos automóveis, joelhos e tornozelos), seja quanto à limpeza e às infindáveis obras do dia-a-dia da administração. Parece que o poder público municipal, após o retorno dos grevistas (de um certo modo cabisbaixos, sem grandes triunfos a comemorar), dá um suspiro de alívio e anuncia à população: “Agora sim, podemos começar a trabalhar !”. Em primeiro lugar, começa muito tarde (segundo ano do mandato); em segundo lugar, porém, não em ordem de importância - “não faz mais do que sua obrigação!”
Marco Antônio de Souza - OAB-SP 55.799