São Paulo - Na largada pela campanha ao governo de São Paulo, quando oficializou a escolha do senador Aloizio Mercadante como candidato, o PT partiu para o ataque ao PSDB. A idéia do partido é utilizar a campanha no Estado para tentar desgastar a imagem do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, que foi governador de 2001 a março deste ano.
“O PT é um partido que não escolhe candidato numa mesa de quatro lugares, em um restaurante de luxo”, afirmou o presidente nacional da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele se referia a um dos episódios no processo de disputa interna no PSDB, no qual o então prefeito paulistano José Serra - que deixou o cargo para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes -, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, foram fotografados em um restaurante de luxo em São Paulo, onde discutiam a sucessão presidencial.
Ao contrário do PSDB, o PT realizou prévia para a indicação do candidato em São Paulo. Ontem, ao anunciar o nome do vencedor, o partido tentou dar uma sinalização de unidade. Marta mostrou disposição em participar da campanha de Mercadante. Para tanto, pediu ao senador que adotasse no programa de governo algumas das realizações efetivadas por ela na prefeitura, como a expansão dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) e o bilhete único metropolitano. Mercadante concordou.
O senador já convidou o grupo da ex-prefeita a participar da coordenação de campanha. “Terminamos nossas prévias sem rachaduras, sem fissuras”, disse Marta.
Em seu discurso já como pré-candidato do PT (somente após a convenção partidária, em junho, o indicado é considerado oficialmente candidato), Mercadante, que foi colega de Alckmin na Câmara, fez críticas diretas ao tucano ao expor propostas para a segurança pública no Estado. “Minha divergência com o Alckmin é desde a época de deputado, do projeto dele para redução da maioridade penal para 16 anos. Eu pergunto a ele: é esse o caminho?”, disse. O senador afirmou que o PSDB, em 12 anos de governo no Estado, “interiorizou o crime organizado”.
Uma das principais propostas de Mercadante na área de segurança pública, reiterada ontem pelo petista, é acabar com a Febem e implementar uma nova política pública de controle e combate à infração juvenil. “O Estado de São Paulo precisa de um governo caipira, que olhe mais para o Interior, cujas prefeituras só recebem pedágios e presídios, e não investimentos”, afirmou o senador.
A referência ao Interior tem nos números sua motivação. Enquanto Marta obteve o dobro dos votos do senador entre os militantes da Capital (16.591 contra 8.390), Mercadante se consolidou no Interior, onde venceu a ex-prefeita paulistana por 17.489 por 7.526.