08 de julho de 2026
Regional

Mãe asfixia e queima recém-nascida

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - Dois ossos, provavelmente da coluna e encontrados no quintal da residência da ajudante-geral Tatiane Pereira, elucidaram um caso registrado como infanticídio e ocultação de cadáver em Agudos (18 quilômetros de Bauru). Diante deles, a mulher de 23 anos confessou ter colocado a filha recém-nascida dentro de vários sacos plásticos, queimados dias depois numa fogueira feita por ela nos fundos da casa, no Centro da cidade.

A partir do reconhecimento do delito, a Polícia Civil localizou, ontem à tarde, no lixão da prefeitura - situado a mais de dez quilômetros da cidade - o corpo parcialmente carbonizado do bebê - o rosto e o tórax foram preservados pelas chamas. Os nove meses de gestação da menina, que nasceu na noite do último dia 28 de parto normal no hospital de Agudos, foram escondidos pela mãe.

Tatiane negou a gravidez tanto para amigos e vizinhos quanto para o marido dela, de 28 anos. Também a ele, submetido há dois anos a uma cirurgia de vasectonia, ela justificou a barriga saliente alegando ser portadora de um mioma. “Eu achava estranho, mas punha a mão na barriga dela e não mexia nunca”, contou o rapaz para a reportagem, que preferiu ter o nome preservado.

Foi ele quem chamou a ambulância para levá-la ao hospital no dia em que ela deu à luz. Cerca de duas horas depois, quando o rapaz ligou para ter notícias da mulher, foi informado sobre o nascimento da criança. “Tentei visitá-la. Mas disseram que eu tinha de aguardar o horário de visitas”, conta o moço, que trabalha como operador de máquina. No dia seguinte, ele esteve no hospital, mas não pôde encontrá-la porque estava de bermuda, informa.

Mas antes de receber alta no dia 30, Tatiane ligou para o sogro para negar o parto e “corrigir o equívoco cometido pelo hospital”. Como não havia levado roupas para a menina, que teria sido batizada pela própria mãe como Vitória, a entidade hospitalar lhe emprestou as vestimentas para o bebê. Na data da saída, num domingo, o hospital também providenciou sua condução até a residência, com uma ambulância.

Ela teria entrado pelos fundos da casa, amamentado a menina, que nasceu sadia, com 3,250 quilos. Posteriormente, ela a teria colocado viva em diversos sacos plásticos, pendurados num cômodo construído no quintal, distante da casa. Na ocasião, o marido e os dois filhos - de 7 e 5 anos - não estavam em casa. As crianças estavam com o avô paterno e o rapaz, numa igreja em Bauru.

Dois dias depois, Tatiane disse ter pego o saco plástico e ateado fogo numa fogueira feito por ela no quintal de casa.

Altas, não foram só as labaredas que incomodaram a vizinha da casa ao lado Roseli Alves Quintanilha. De acordo com ela, enquanto a fogueira era feita, Tatiane ouvia música evangélica num volume tão alto que era impossível até assistir televisão na casa ao lado.

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Infanticídio

Tatiane Pereira foi presa em flagrante ontem à tarde por ocultação de cadáver, crime que prevê reclusão de um a três anos. De acordo com o delegado Jáder Biazon, ela também será indiciada por infanticídio, cujo delito pode resultar em pena de dois a seis anos de detenção. Segundo ele, ela seria encaminhada para a cadeia feminina de Cabrália Paulista.

O corpo da criança foi recolhido pela Polícia Científica e seria levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, onde passará por necropsia. Depois da conclusão do laudo, ele deve ser liberado para sepultamento, informa Biazon.