10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Drogarias venderão remédios avulsos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Até o fim desta semana o consumidor poderá comprar em qualquer drogaria, de todo País, comprimidos, cápsulas e drágeas avulsas. A venda por unidade era permitida apenas às farmácias de manipulação. Entretanto, essa prerrogativa foi modificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assinou em Brasília decreto autorizativo para estender a venda fracionada às drogarias. Também foi encaminhado projeto de lei ao Congresso, que obriga os laboratórios a produzir o medicamento fracionado.

De acordo com o Ministério da Saúde, as embalagens dos produtos também terão de conter informações sobre a fabricação, como inscrição do número de lote e bula, conforme determina a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Há um ano, o governo incentiva a produção de remédios fracionados. No entanto, a fabricação é feita por apenas dois estabelecimentos e somente mais quatro pediram a licença.

A estimativa é de que, até o final de maio, 55 medicamentos estejam sendo vendidos separadamente e que dentro de seis meses os laboratórios comecem a produzir os fracionados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, algumas drogarias já trabalham com esse tipo de venda, conforme a Anvisa.

Segundo assessoria de comunicação do órgão, o valor das unidades será calculado de acordo com o preço mais baixo de uma caixa do medicamento. Isso também quer dizer que o remédio não deixará de ser comercializado pelo seu valor real de mercado.

Entre uma caixa com dez comprimidos, que custe R$ 10,00, e outra com 20, de R$ 15,00, o valor unitário da drágea será calculado sobre o volume com 20 comprimidos. Isso porque o preço avulso na caixa de R$ 10,00 é maior do que na caixa de R$ 20,00.

Anvisa

A assessoria de comunicação da Anvisa também garantiu que a mudança não provocará reajuste no preço dos remédios, já que o aumento é anual e previsto em lei. A instituição cita que a nova medida pode oferecer um efeito contrário, ou seja, baratear o custo, já que o consumidor poderá levar para casa a quantia exata para o tratamento.

Álvaro Lima, proprietário de uma rede de drogarias em Bauru, acha que a mudança é viável desde que, de fato, os remédios não fiquem mais caros por conta da embalagem dos produtos.

“Suponhamos que uma cartela com dez comprimidos de aspirina custe R$ 3,00. Cada unidade teria de ser vendida a R$ 0,30. Mas com todas as informações que a embalagem deve apresentar, essa drágea terá de ser colocada dentro de um recipiente que precisará ter quase o tamanho de uma cartela onde cabem dez comprimidos. Será possível vender esse comprimido por R$ 0,30?”, questiona Lima.

Antônio Augusto Gomes, também empresário do ramo em Bauru, teme pela segurança dos medicamentos caso não sejam embalados pelas indústrias farmacêuticas. “Pelo que sei, as farmácias precisariam ter um recipiente de vidro transparente sobre o balcão, para que o cliente pudesse observar o remédio e ver o funcionário da drogaria cortar as cartelas. Não acho um método seguro. Mas se esses medicamentos vierem fracionados, acho que o problema da segurança deixa de ser um empecilho”, comenta.

Gomes acredita que a venda unitária vai baratear o custo dos produtos, já que o consumidor terá a oportunidade de comprar a quantidade certa que precisa.

“Qualquer medida que venha proporcionar uma facilidade de compra ao consumidor com garantia, sou favorável. Como empresário, essa nova medida pode até não ser tão interessante, porque vou faturar menos. Mas defendo que toda empresa tem que ter seu lado social, principalmente no ramo da saúde”, completa Gomes.

Viável

A dona de casa Graça Aparecida Santiago Pinto, 58 anos, aprova a mudança. Ela acredita que, ao poder comprar a quantidade exata do remédio que tem de usar, poderá reduzir o gasto mensal de R$ 200,00 com os medicamentos.

Graça compra medicamentos para combater problemas de reumatismo, pressão alta e circulação. “Às vezes, somos obrigados a comprar uma quantia de remédio que não vamos usar. Os comprimidos ficam parados e gastamos dinheiro à toa. Acontece muito isso com antibióticos, que em geral são suficientes para 20 dias, mas o tratamento dura menos tempo. Acho que dessa forma, vou conseguir gastar menos”.

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Sem impactos

Silvio Augusto Carazzatto, dono de uma farmácia de manipulação em Bauru, não acredita que o decreto que autoriza as drogarias a comercializar remédios avulso possa provocar algum reflexo negativo aos estabelecimentos manipuladores.

“Alguns produtos só podem ser adquiridos nas farmácias de manipulação, principalmente quando a receita médica pede dois ou três medicamentos numa mesma cápsula. Por conta disso, acho que o setor não sofrerá impacto”, observa.