Brasília - O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, demonstrou ontem o grau de insatisfação do governo com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que nesta semana protocolou no Palácio do Planalto um pedido de esclarecimentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso.
"A postura do senador Suplicy de protocolar uma carta no Palácio pedindo que o presidente dê explicações é totalmente inaceitável para qualquer tipo de parlamentar que tenha uma relação com o governo", disse Genro.
"Ele está mais preocupado em criar, talvez, um valor adicional para o seu mandato do que trabalhar para investigar os fatos que, em última análise, estão trabalhados pela CPI", completou o ministro das Relações Institucionais.
Na carta ao Planalto, Eduardo Suplicy pede que o presidente Lula vá ao Congresso Nacional para rebater as denúncias contra o governo, tanto as antigas, relacionadas ao “mensalão”, quanto as mais recentes, feitas pelo ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira.
O senador disse que, se Tarso analisar a situação, acabará por lhe dar razão. "Quero transmitir ao amigo ministro Tarso Genro, que é um dos maiores defensores do aprimoramento do sistema democrático, que a explicação do presidente aos congressistas é consistente com quem quer aperfeiçoar os mecanismos democráticos", afirmou Suplicy.
O petista lembrou que existe um projeto em tramitação no Congresso desde o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que propõe justamente depoimentos regulares do presidente ao Poder Legislativo.
O senador paulista, que telefonou para Genro depois das críticas, mas não conseguiu entrar em contato com ele, mantém sua posição de que o presidente deve ir ao Congresso prestar esclarecimentos. "Não por causa do episódio do Silvinho, mas de todos."