08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Saco de penas


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Certa vez ouvi uma história que nunca mais saiu de minha lembrança. A mesma falava a respeito de uma pessoa que lançou um saco de penas ao vento e depois pediu para que alguém as apanhasse. Ao receber a incumbência, a segunda pessoa afirmou: não será possível apanhar todas as penas, talvez eu consiga recuperar a maioria, mas todas, não será possível. Este conto, apesar de simples, reflete bem nossa sociedade atual. As pessoas que acusam e apontam falhas nas outras, principalmente políticos, lançam deliberadamente as penas ao vento, a fim de que o acusado corra atrás das mesmas para apanhar cada uma delas. O estrago já foi feito, as penas não serão recuperadas em sua totalidade.

Em nosso País, diferentemente de outras culturas mais avançadas, a obrigação de provar a veracidade dos fatos não é de quem acusa, mas sim de quem é acusado. Não é o caluniador que tem de provar sua mentira, mas o caluniado. Arranhões, feridas e máculas jamais serão estirpadas por completo depois da acusação, haverá sempre uma lembrança amarga e nem todas as penas serão recuperadas. Apesar disto, um dia, todo acusador poderá estar no lugar de acusado e, por isso, como disse Jesus: com a mesma medida que medirdes aos homens, vós também sereis medidos.

Ubiratan Cássio Sanches - RG 40.653.867-83