10 de julho de 2026
Economia & Negócios

IGP-M em queda freia reajuste de aluguel

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Os inquilinos cujos contratos de aluguel serão reajustados neste mês podem ficar despreocupados. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,92% no acumulado dos últimos 12 meses. Isso significa que não haverá aumento no valor da mensalidade. Desde 1989 o IGP-M, indexador utilizado por 85% das imobiliárias do País, não apresentava baixa.

Apesar da boa notícia, locadores e locatários não arriscam comemorações. Para eles, o índice, sendo negativo ou positivo, pouco está influenciando na alteração do preço dos aluguéis. A negociação entre as duas partes, independentemente do IGP-M, é o que está valendo na prática.

José Roberto Sederighi, vice-presidente de locação do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), avalia que o IGP-M negativo é resultado de uma estabilidade que o ambiente de negócios vive no País atualmente. Ele acredita que a maioria dos locadores não deve alterar o valor dos aluguéis, até mesmo por consenso dos próprios inquilinos, já que a baixa do índice não é tão expressiva e também porque em outras oportunidades, quando o IGP-M atingiu patamares maiores, seus reflexos não foram aplicados.

“Acho que devemos comemorar essa estabilidade porque mostra que estamos sob uma condição melhor de vida e com valor melhor da moeda. Isso acaba ajudando todo mundo, inclusive o proprietário”, analisa.

Locadores afirmam que a oferta atual de imóveis é superior ao número de procura, o que explicaria o IGP-M negativo e a estabilidade comemorada por algumas partes do setor. Sederighi concorda que a oferta é grande, porém, avalia que a qualidade não acompanha a demanda. Em sua opinião, os imóveis considerados bons são raros.

Ainda de acordo com ele, nos últimos 15 anos houve um achatamento de renda e os proprietários de imóveis não conseguiram fazer manutenção regular dessas propriedades. “Hoje, o inquilino quer um imóvel pronto, isto é, não quer fazer reforma, construir armário, reparar pequenos danos, enfim, quer comodidade desde a primeira impressão. Portanto, a oferta desses imóveis está escassa. A maioria está inadequada para locação”.

Wânia Pôrto, delegada do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) em Bauru, acredita que a situação é mais favorável ao locatário, entretanto, reitera que a maioria das negociações é feita entre o proprietário do imóvel e o inquilino.

“Esse índice mantém a estabilidade possibilitando um acordo melhor entre locatário e locador, principalmente nos casos de contratos vencidos”, observa Pôrto. Ela ainda frisa que muitas corretoras de imóveis já sinalizam a preferência por outros indexadores, como o IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que nos últimos 12 meses acumulou alta de 2,57%.

A delegada revela que os corretores, ao elaborar o contrato de aluguel, relacionam todos os índices para fazer a opção por aquele que for mais favorável financeiramente.

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Boa notícia

O economista Fernando Pinho considera o índice de -0,92% do IGP-M uma boa notícia tanto para donos de imóveis quanto para locatários. Ele comemora os números porque diz entender que o reajuste corresponde a uma depreciação da moeda, o que acarreta perdas a todos os setores.

Ele ainda lembra que a maioria dos índices de reajuste tem sido favorável ao consumidor. Essa desaceleração, segundo ele, reflete que a economia está com a inflação contida.

“Nós nos acostumamos, em razão da conjuntura inflacionária, a torcer para que os índices de reajustes sejam elevados. Isso, na verdade, é uma grande ilusão, porque quando se tem um reajuste, a moeda, conseqüentemente, se deprecia. O reajuste é apenas uma reposição do poder aquisitivo que foi perdido ao longo do tempo”, diz o economista.

Pinho explica que índices negativos revelam deflação nos preços e que, ao contrário do que muitos pensam, o reajuste desses indexadores pode provocar uma reação em cadeia. Isto quer dizer que, embora a renda do locador aumente consideravelmente, o preço de mercado de outros setores terá crescimento na mesma velocidade e proporção.