11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Para locadores e inquilinos, a negociação supera os índices

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

Para muitos locadores e locatários, a oscilação dos índices de reajuste de aluguel, como o IGP-M, não significa qualquer tipo de instabilidade no acordo financeiro tratado no contrato de locação. É o que apontam inquilinos e proprietários de imóveis consultados pelo Jornal da Cidade.

Essa situação reafirma a análise de José Roberto Sederighi, vice-presidente de locação do Secovi. De acordo com ele, o sobe-e-desce dos índices de preço de mercado não é considerado por ambos os lados. Na prática, os reajustes de aluguel não estão sendo aplicados porque, na elaboração e assinatura do contrato, locador e locatário negociam um valor justo para os dois, que permanece inalterado até o término do prazo contratual.

A aposentada Regina Mesquita é dona de vários imóveis. Para ela, o locador fica impossibilitado de fazer o reajuste de acordo com os índices do mercado porque acredita que a oferta está maior do que a procura.

“O IGP-M em alta ou em baixa, para mim, nunca fez diferença. Nunca foi oportunidade para eu subir o aluguel. Ao contrário, já até renegociei muitos, baixando o valor para não perder os inquilinos, que em geral pagam em dia e cuidam bem do imóvel”, comenta.

O empresário Juliano Genari de Oliveira, que aluga imóveis há oito anos - um apartamento onde mora e um salão onde trabalha com franquia de perfumes -, acha que o valor do aluguel deveria baixar quando o IGP-M apresenta queda, assim como a atual, que indica - 0,92%. Ele conta que já se desgastou muito nas imobiliárias solicitando esse acordo, o que foi em vão. “Nunca adiantou. Acabei desanimando porque não surtiu efeito nenhum. Porém, consta no contrato que só haverá aumento do aluguel mediante reajuste do IGP-M. Mas quando decidem aumentar, isso ocorre independentemente do que aponta o índice. Quanto a baixar, ainda não encontrei nenhuma cláusula no documento que trate dessa questão”, reclama.

Oliveira desembolsa por mês R$ 750,00 com o pagamento de aluguel, fora as taxas de condomínio.

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Exportação

Quem está sendo desfavorecido com a queda dos índices, inclusive do IGP-M, são os exportadores. É o que aponta o economista Fernando Pinho. Ele teme que, com a cotação do dólar em baixa sobre o real, o mercado exportador brasileiro pode ser atingido por uma crise que inviabilize manter negociações e vendas com o Exterior.

Pinho ressalta que as crises no setor agropecuário brasileiro, como os surtos de febre aftosa que atingiram vários Estados do País, contribuíram para que os preços dos gêneros alimentícios, principalmente dos derivados de carnes, despencassem.

“Portanto, o grande ganhador dessa situação é a sociedade de maneira geral. As pessoas estão podendo usufruir de índices de preços baixos e de uma deflação que corresponde a aumento de renda. O consumidor paga mais barato pelo que compra, portanto, sobra mais dinheiro no bolso”, explica o economista.