O padre jesuíta Casimiro Abdon Irala Arguello, 70 anos, está em visita a Bauru. Conhecido pelas missas irreverentes que celebra há anos pelo País afora, ele participa amanhã, na 96 FM, do programa Conexão, que vai ao ar entre 22h e meia-noite. Esteve na cidade pela primeira vez em 1972, no encontro denominado Treinamento de Liderança Musical.
Nascido na capital do Paraguai, em Assunção, chegou ao Brasil em 1966, quando tinha 30 anos de idade. Ele conta que, na época, também teve a oportunidade de seguir para um seminário em Buenos Aires, na Argentina. Entretanto, escolheu São Leopoldo, no Brasil, mesmo sem saber falar português, por conta da flexibilidade política que, segundo ele, era maior que entre os argentinos.
Arguello revela que optou ser jesuíta por influência de colegas que já estavam nesse meio. No entanto, ressalta que a vontade de ser sacerdote existia desde a sua adolescência, quando, aos 13 anos, tornou-se coroinha.
“Eu levantava cedo para ajudar os padres na missa, porque eles precisavam de um apoio. Me lembro que comprei um missal, inclusive, para participar das celebrações. Comecei a me fascinar pelas mensagens de Jesus através de minhas próprias leituras da missa. E a missa foi, na verdade, o que me chamou para o sacerdócio”, comenta.
Com os salesianos (congregação cristã) aprendeu a praticar o sacerdócio seguindo uma linha cultural, com muita arte e descontração. Arguello, que incentiva muita música e expressão corporal entre os fiéis nas missas que celebra, diz que esse diferencial é resultado de um trabalho próprio. “Minhas missas são jovens porque eu deixei que os jovens entrassem. Eles conseguiam entender o que estava lá dentro, assim como eu entendia. Não era uma coisa estranha. Digamos que a missa seja o resultado natural de tudo o que eles (os jovens) estavam buscando”, observa o jesuíta.
De acordo com ele, não enfrentou barreiras por fugir do tradicionalismo das missas católicas. Arguello também foi autor do Oração Pela Arte (OPA), grupo que tinha por objetivo incentivar a oração através de manifestações artísticas. Era um encontro onde eu os desafiava a criar novas artes, como canções, poesias, coreografias entre outros trabalhos”, diz.
Desse grupo, lembra o jesuíta, foram revelados artistas como Daniela Mercury e a roteirista e atriz Cláudia Ventura.