As facilidades para a compra de veículos são cada vez maiores e, principalmente, tentadoras. As possibilidades chegam a ser oportunas mesmo para quem não dispõe de uma renda mensal considerada confortável.
As concessionárias investem forte em quilométricos planos de financiamento, que na maioria das vezes, seduzem o consumidor. Atualmente, é possível parcelar um carro, por exemplo, em 72 meses, o equivalente a seis anos. Dependendo da época em que o veículo é adquirido, além da pessoa poder liquidar a primeira prestação do financiamento 30 dias depois da compra, leva o carro para casa com o tanque cheio, licenciamento, transferência e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) pagos.
Entretanto, especialistas consultados pelo JC não vêem apenas vantagens nessas formas de financiamento. Eles dizem que antes de fechar o negócio, é preciso pesquisar valores e a menor taxa de juros possível para não correr o risco de pagar um veículo pelo preço de dois. Optar por uma parcela que se encaixe no orçamento desconsiderando, sobretudo, os juros embutidos, pode ser sinônimo de prejuízo, alertam especialistas.
O que também deve ser levado em consideração é o prazo do plano de pagamento. O recomendável é que a amortização da dívida seja feita em, no máximo, 36 vezes. Dessa forma, o consumidor corre menos riscos de ficar com um veículo desvalorizado quanto terminar de quitá-lo.
O economista Caio Haffner, admite que o financiamento é a única alternativa imediata para quem precisa ou quer adquirir um veículo, porém não dispõe de uma renda acumulada. Mesmo assim, ele é favorável a um parcelamento de até 24 vezes ou, no máximo, em 36 parcelas, principalmente em razão da alta taxa de juros aplicada sobre as prestações.
“Quanto maior for o financiamento, mais juros você vai pagar. Em muitos casos, a pessoa acaba quitando dois carros. Recomendo para que, ao comprar o veículo, seja dada a maior quantia possível de entrada. O valor que faltar, oriento a financiá-lo em 24 vezes. Mas, mesmo assim, é necessário buscar o juro mais baixo e ficar atento às promoções sempre”, orienta Haffner .
Uma alternativa para financiar veículos a juros baixos, segundo o economista, são os empréstimos bancários com desconto em folha de pagamento.
“Se o valor emprestado no banco não for suficiente para pagar todo o carro, a solução é financiar o restante, mas na financiadora que oferecer o juro mais em conta. O empréstimo bancário com desconto em folha é interessante porque o juro é mais barato em razão da inadimplência ser menor”, completa.
O contador Leandro Santile é favorável a uma negociação mais racional. Para ele, o financiamento a longo prazo só deve ser feito caso o veículo seja usado como instrumento de trabalho.
“Se a pessoa não tem dinheiro, mas precisa de um carro para trabalhar e gerar renda, compensa financiar. O carro será um investimento que vai dar um retorno, além de cobrir o gasto com o juro”, analisa.
O contador também considera vantajoso o financiamento total de um carro, caso ele seja ofertado abaixo do preço de mercado e esteja em boas condições de uso. “Se o preço de mercado é R$ 20 mil, mas o veículo é oferecido a R$ 16 mil, por exemplo, sem dúvida alguma compensa financiá-lo. Apesar do juro elevar esse valor real que está sendo pedido, a pessoa poderá antecipar a compra que só seria feita a médio ou a longo prazo”, observa Santile.
Em contrapartida, quem não tem tanta necessidade de adquirir um veículo a curto prazo, o contador aponta que não é viável optar pelo financiamento, mas poupar capital para comprá-lo mais tarde. “E a poupança é a melhor aplicação para quem quer guardar dinheiro a fim de adquirir um automóvel, principalmente pela facilidade que se tem de sacá-lo a qualquer momento e por ser um procedimento mais seguro do que uma aplicação na bolsa de valores, por exemplo”.
Outra sugestão de Santile é o empréstimo feito em família, que permite negociar juros de até 1%, assim como o índice de poupança.
Em resumo, a orientação geral dos especialistas é que, antes de assinar um contrato de financiamento, é fundamental que a pessoa não assuma uma dívida mensal que ultrapasse 30% do orçamento familiar. Parcelas pré-fixadas também são garantias de estabilidade financeira durante o período de amortização da dívida.