08 de julho de 2026
Polícia

PCC mantém dez reféns em Pirajuí

Rafael Tadashi com Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O poder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável por uma série de ataques que mataram policiais civis e militares entre anteontem à noite e ontem e rebeliões simultâneas em 22 presídios no Estado de São Paulo, foi demonstrado em Pirajuí. Detentos da Penitenciária 2 da cidade iniciaram rebelião às 9h e mantinham, até o fechamento desta edição, dez reféns entre agentes penitenciários, familiares de presos que estavam na unidade para a visita de sábado e colegas de celas.

A Secretaria da Administração Penitenciária confirmou o número de reféns e informou que não havia feridos. Parte dos familiares dos presos, que entraram na P2 para a visita, não pôde sair. Quem ainda estava do lado de fora, não foi autorizado a entrar após a rebelião ter sido deflagrada. Somente ônibus entraram no prédio para retirar familiares.

Os rebelados dominavam o presídio. Cerca de 30 deles caminhavam sobre o telhado da penitenciária, mas a reportagem, que não pôde aproximar-se do prédio, não soube se eles levavam os reféns e que armas possuíam. Também não conseguiu apurar quantos presos aderiram ao movimento. Durante toda a tarde, viaturas do Corpo de Bombeiros e ambulâncias entraram e saíram do presídio. Mas não foi informado se haviam focos de incêndio ou feridos.

Por volta das 18h, a Tropa de Choque da Polícia Militar chegou à Penitenciária 2 de Pirajuí e estava aguardando ordem do comando para invadir o prédio e conter a rebelião. A Penitenciária 2 tem capacidade para 960 detentos, mas no começo do mês passado estava com cerca de 1.400 presos. Ontem, o JC não conseguiu falar com a direção do presídio.

A unidade fica a cerca de três quilômetros da cidade, no mesmo terreno da Penitenciária 1, que ontem não registrou nenhum movimento de rebelião - no final do mês passado abrigava mais de 1.000 presos.

Até as 19h30, o clima era de tensão nas proximidades da P2, com os policiais de prontidão para invadir. Parentes de presos buscavam informações. A mulher de um detento da P2, que pediu para não ser identificada, reclamou bastante da falta de notícias. Segundo ela, a todo momento viaturas da polícia, do Corpo de Bombeiros e ambulâncias entravam no presídio, o que deixava as visitas ainda mais apreensivas.

Cerca de 60 pessoas aguardavam do lado de fora da penitenciária informações sobre o que acontecia do lado de dentro. Muitas chegaram a Pirajuí sem dinheiro para retornar às cidades de origem. Segundo informou a mulher ouvida pelo JC, é comum elas receberem o dinheiro para a passagem de volta dos maridos que estão presos. Uma vez impedidas de se encontrarem com os maridos, as mulheres ficariam sem ter como voltar para casa.

Por esse motivo, a informação de que as visitas de hoje também estariam suspensas revoltou os parentes dos presos. “Estou desde janeiro sem ver meu marido e eu também trouxe as crianças. E aí eu chego aqui e acontece isso. Que belo presente do Dia das Mães eu vou receber”, reclama a entrevistada, ao lado dos filhos – um de 4 e outro de 12 anos.

Represália

As rebeliões seriam uma represália do PCC à decisão do governo do Estado de transferir e isolar líderes da facção criminosa, entre eles, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, bem como transferir 765 integrantes do grupo para a recém-reformada penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau.

Em Avaré e Iaras, os presos iniciaram focos de incêndio e fizeram 12 e 13 reféns respectivamente, mas a situação foi controlada com a chegada das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. Há informações de que tanto presos quanto reféns tenham sido feridos. Em Avaré, um policial foi ferido com um tiro na perna.

Em fevereiro de 2001, 29 presídios e centros de detenção registraram rebeliões simultâneas no Estado de São Paulo, operação criminosa que deixou 19 mortos.