Botucatu – A população de baixa renda é a mais atingida pela hipertensão e sua incidência entre homens e mulheres aumenta com a idade. Os dados compõem levantamento realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu com grupo de 1.600 moradores daquela cidade (localizada a 100 quilômetros de Bauru) ouvidos no período de 2001-2002 e integram o estudo Inquérito de Saúde de São Paulo (ISA-SP).
O estudo, também realizado por outras universidades públicas paulistas no distrito de Butantã (capital paulista) e nas cidades de Taboão da Serra, Embu, Itapecerica da Serra e Campinas tem por objetivo avaliar as condições de vida, situação de saúde e uso de serviços de saúde pela população. As constatações foram reunidas no livro “Saúde e condição de vida em São Paulo”, lançado recentemente pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).
No caso de Botucatu, chama a atenção a incidência da hipertensão entre pessoas de baixo poder aquisitivo e entre aquelas com idade entre 20 a 59 anos: 142,1 homens e 164,5 mulheres a cada grupo de 1.000 pessoas.
De acordo com a professora e médica especialista em saúde pública Luana Carandina, coordenadora da pesquisa, tal constatação se deve ao fato dessa camada social estar mais exposta a atividades profissionais que exigem esforço físico e por conviver mais com situações de estresse, causadas por falta de dinheiro e péssimas condições de moradia.
A avaliação é possível, conforme Carandina, porque o ISA permite relacionar informações socieconômicas com a condição de saúde declarada pelo entrevistado, garantindo uma fotografia exata da condição da população.
Esse retrato indica também que problemas na coluna se concentram mais na população de baixa renda de Botucatu, que sofre ainda com doenças relacionadas à obesidade, diretamente relacionadas com a qualidade da alimentação.
O ISA-SP verificou que 96% dos entrevistados em Botucatu têm hábitos alimentares inadequados ou dieta que deve ser alterada. A grande maioria (74%) precisaria mudar radicalmente a alimentação. Apenas 4% possuem uma dieta saudável.
A médica explica que homens jovens, acima de 20 anos, com pressão alta ou diabetes não fazem acompanhamento médico. Nesta faixa etária, os jovens relutam em mudar hábitos, como parar de fumar, fazer exercícios e cuidar da alimentação. O ISA-SP confirma que doenças crônicas são importantes causas da falta a compromissos, como trabalho, e podem gerar invalidez e comprometimento da qualidade de vida.
O estudo verificou também a presença de doenças agudas. O problema no aparelho respiratório – gripes e resfriados – foi o campeão nas entrevistas. A cada 1.000 entrevistados, 451 apontaram a doença. Ainda entre os problemas agudos, Carandina ressalta como relevante as lesões, envenenamento e outras conseqüências de causas externas – ligadas à violência –, apontadas por 77 pessoas em cada grupo de 1.000 entrevistados.
A ISA-SP utilizou a metodologia de entrevista e sorteio do entrevistado com pessoas representando as diversas camadas sociais. Carandina ressalta que uma pesquisa da amplitude como essa é um apoio essencial ao planejamento de políticas públicas para o setor de saúde. “Mostra qual é a demanda de serviços nos postos de saúde, pronto-socorro e hospitais”, finaliza.