09 de julho de 2026
Nacional

Dirceu teria favorecido BMG, diz ‘Istoé’

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Reportagem publicada na edição da revista “IstoÉ” que começou a circular ontem afirma que o ex-ministro da Previdência Amir Lando encontrou-se com o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, para denunciar um favorecimento deliberado ao banco BMG, articulado pela Casa Civil, então comandada pelo petista José Dirceu.

O BMG emprestou R$ 26 milhões às empresas do publicitário Marcos Valério de Souza. O dinheiro teria financiado parte do esquema de repasse de recursos a políticos da base aliada. Lando, hoje senador pelo PMDB-RO, disse a Souza, segundo a “IstoÉ”, que a negociação que permitiu ao BMG ser o único banco ao lado da Caixa Econômica Federal a operar o crédito consignado (com desconto em folha) a aposentados e pensionistas por dois meses - o que contribuiu para elevar os lucros do banco de R$ 90,2 milhões em 2003 para R$ 275,3 milhões em 2004 - foi articulada na Casa Civil.

Lando afirmou ainda que a execução do negócio ficou a cargo do então presidente do INSS, Carlos Bezerra. Procurado pela “IstoÉ”, Bezerra confirmou o papel de Dirceu. “Tudo era acertado na Casa Civil”, disse ele. A operação que favoreceu o BMG é um dos alvos da segunda fase da investigação do procurador-geral sobre o mensalão.

Essa investigação envolve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois em 13 de agosto de 2004 ele assinou decreto permitindo que outros bancos que não os responsáveis pelos pagamentos dos benefícios da Previdência Social operassem o crédito consignado. Treze dias depois, o BMG assinou convênio. Esta não é a primeira denúncia que liga Dirceu ao BMG. Em depoimento à CPI dos Correios, o presidente do banco, Ricardo Guimarães, confirmou ter dado um emprego na instituição a Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, a pedido de Valério.

Guimarães também disse que Valério intermediou um encontro com Dirceu em 20 de fevereiro de 2003. Três dias antes, o banco havia emprestado R$ 2,4 milhões ao PT. No dia 24, faria o primeiro empréstimo a Valério, no valor de R$ 12 milhões. A “Folha de S. Paulo” não conseguiu falar com Lando nem com os citados na reportagem até as 13h.