08 de julho de 2026
Internacional

Bush volta a defender uso de escutas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O presidente dos EUA, George W. Bush, reiterou ontem seu apoio ao uso de escutas telefônicas no país, afirmando que a medida é “necessária” e visa “combater a (rede terrorista) Al-Qaeda”. Na quinta-feira, o jornal americano “USA Today” informou que a Agência Nacional de Segurança (NSA) coleta secretamente registros de ligações telefônicas de milhões de americanos, usando dados das companhias telefônicas AT&T, Verizon e BellSouth.

Em seu discurso de rádio semanal, Bush afirmou que o programa “não está dirigido a cidadãos inocentes”. “É importante que os americanos entendam que nossas atividades visam exclusivamente a Al-Qaeda e seus aliados”, disse o líder americano. Bush não respondeu, no entanto, aos questionamentos feitos pelo Congresso americano, onde vários legisladores questionam a necessidade de se manter uma base de dados tão vasta.

Sem confirmar nem desmentir a existência do banco de dados, Bush se limitou a ressaltar que o programa de espionagem - que ele mesmo autorizou, após os atentados de 11 de setembro de 2001 - é “legítimo” e que os congressistas de ambos os partidos foram informados a respeito.

“A privacidade dos americanos está fortemente protegida em todas as nossas atividades”, afirmou. “O governo não escuta chamadas telefônicas domésticas sem ordem judicial.” De acordo com o “USA Today”, após os atentados de 11 de Setembro, a NSA “começou a coletar em segredo os dados telefônicos de dezenas de milhões de americanos”.

A nova polêmica se soma a acusações prévias levantadas em reportagem do jornal “The New York Times” em dezembro de 2005. À época, o presidente George W. Bush disse ter autorizado diretamente a interceptação - sem mandado judicial - de telefonemas e e-mails internacionais com origem ou destino nos Estados Unidos.

A novidade da reportagem do ‘USA Today” é que o programa tem extensão maior que a imaginada anteriormente, e que o governo tem registro de todas as ligações domésticas (para familiares, amigos ou outros fins) realizadas pelos clientes das três companhias. Bush focou todo o seu discurso de ontem nesta questão, para fazer frente às diversas vozes que acusam o governo de se exceder em suas funções e de violar o direito à privacidade dos cidadãos, por causa da informação publicada na quinta-feira pelo jornal ‘USA Today’. ‘Se existe, em nosso país, pessoas falando com a Al Qaeda, queremos saber. Não vamos sentar e esperar ser atacados de novo’, acrescentou.

Anteontem, clientes da AT&T entraram com uma ação judicial contra a empresa devido à sua participação no programa de escutas telefônicas, que “feriria as liberdades civis”. O pedido judicial - feito em uma corte do norte da Califórnia- acusa a AT&T de “colaboração ilegal” com a NSA no sistema de monitoramento de ligações telefônicas. Uma audiência deve acontecer no dia 21 de junho, perante o juiz Vaughn Walker.

Clientes da Verizon também entraram com uma ação judicial em Nova York, pedindo uma indenização de US$ 5 bilhões de dólares, alegando que a companhia “burlou a lei” ao fornecer ao governo informações de registros telefônicos de seus clientes.