08 de julho de 2026
Polícia

Para Giraldi, situação pode piorar

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Com base em projeções do sistema prisional brasileiro, Nilson Giraldi, que é professor, assessor e consultor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e da Secretaria Nacional de Segurança Pública, afirma que, se medidas sérias e amplas não forem tomadas, a situação tende a piorar. “Hoje temos 330 mil pessoas encarceradas no Brasil e 210 mil vagas. Projeções do Ministério da Justiça apontam que, em cinco anos, o número de presos no País vai dobrar e o número de vagas será a metade do necessário”, frisa. “Seria o caos”, completa.

Outro dado alarmante: quase um terço dos presos do Brasil está no Estado de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, as penitenciárias, centros de detenção provisória e centros de ressocialização paulista abrigam 121 detentos. “Só as pessoas presas em um final de semana pela polícia é suficiente para lotar um presídio”, comenta Giraldi, que é coronel da reserva da Polícia Militar. Mas ele ressalta que a solução para a crise da segurança pública exige muito mais do que construir presídios (leia mais nesta página).

A preocupação do coronel Giraldi é que os presos das cadeias também passem a integrar o movimento de rebelião do Primeiro Comando da Capital (PCC). “O PCC ultrapassou todos os limites e estamos vendo o movimento aumentar, ganhando adesão em outros Estados, como no Mato Grosso do Sul. E pode crescer ainda mais se os presos que estão nas cadeias, em inúmeras cidades, aderirem”, agrava.

Ele avalia que um detento que até então nunca teve ligação com o PCC pode aproveitar a ocasião e declarar-se integrante da facção criminosa e rebelar-se em nome dela. “Como membro do PCC, o preso comum passa a ser mais respeitado pelos demais criminosos. Além disso, temos de considerar que o PCC dá apoio financeiro às famílias de seus integrantes”, considera.

Para Giraldi, não há dúvidas de que os detentos que obtiveram autorização judicial para sair dos presídios neste final de semana, devido ao Dia das Mães, participaram dos ataques do PCC. “São quase 13 mil que estão na rua com a saída temporária”, frisa. Em Bauru, são mais de 1.200 detentos.