11 de julho de 2026
Nacional

Pesquisadores do Iepa encontram observatório astronômico no Amapá

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Arqueólogos do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) dizem ter identificado um observatório astronômico pré-histórico no município de Calçoene, a 390 quilômetros da capital do Estado amazônico. Trata-se de um conjunto de pedras dispostas em círculo, cuja estrutura estaria ligada a eventos celestes, como o solstício de inverno (momento do ano em que um dos hemisférios da Terra está na sua posição mais distante do Sol).

A presença de círculos de pedras maciças no Amapá é conhecida há tempos. “Há relatos do começo do século passado falando disso”, conta o arqueólogo Eduardo Góes Neves, da Universidade de Sã Paulo (USP).

Os próprios moradores de Calçoene já sabiam da existência das pedras. Mas é a primeira vez que alguém tenta atribuir formalmente um significado astronômico a elas, diz a arqueóloga Mariana Petry Cabral, coordenadora do estudo do Iepa ao lado de seu colega e marido, João Saldanha.

“Trata-se de uma estrutura muito bonita, no alto de uma colina”, conta ela. “Quando passamos a examiná-la, percebemos uma inclinação que poderia estar associada ao solstício de inverno e decidimos verificar isso.”

Eles tiraram a prova (no hemisfério Norte, onde está o Amapá, a data costuma corresponder ao dia 22 de dezembro) e dizem ter verificado que uma das pedras realmente parece estar exatamente alinhada com o Sol no solstício de inverno.

Nesse dia, quando o astro alcança sua posição mais alta no céu (o chamado zênite), ele apareceria logo acima da pedra, de forma que ela não lança sombra nenhuma no chão.