09 de julho de 2026
Polícia

Pânico foi exagerado, avalia Zonta

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Boatos de ataques “pipocando” em Bauru e atentados a ônibus e agências bancárias na cidade de São Paulo atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) levaram parte da população bauruense, que recebia as informações pela imprensa, a também adotar medidas extremas de segurança, como suspender aulas nas universidades e fechar o comércio mais cedo. Mas para o doutor em psicologia social Celso Zonta, não há comparação entre o perigo na Capital e em Bauru. Para ele, a população no Interior exagerou.

As medidas preventivas tomadas pela população no Interior não se justificam pelo perigo real, diz Zonta. “No entanto, por outro lado, acabam se justificando em função do clima de insegurança que foi criado. As pessoas recebem informações o tempo todo pela televisão. Acabei de ver que em Botucatu houve problemas”, afirma.

Este clima é amplificado não apenas pela rapidez com que a mídia noticia o que está acontecendo na Capital e outras cidades, com as ações do PCC desestabilizando a autoridade pública, mas também porque outros segmentos sociais se aproveitam da situação, de acordo com Zonta.

"É uma pedra aqui, um tiro para o alto ali, uma ameaça por telefone, um e-mail vinculado pela Internet”, afirma Zonta. “O perigo real não existe no Interior, mas psicologicamente o ambiente está criado”.

Zonta afirma que embora em proporções diferentes, o Interior do Estado de Sâo Paulo também já está convivendo, cotidianamente, com a mesma intranquilidade promovida pela violência, que as capitais do País. “Essa política de criar presídios, combater o crime com a violência policial, está se mostrando ineficaz”, afirma.

O doutor em psicologia social cita as ações dos líderes do crime organizado de dentro dos presídios, que aplica golpes na população, não só na Capital, mas também no Interior do Estado. “Em Bauru já houve estes casos. De dentro do presídio ligam para as casas das pessoas afirmando que estão com alguém da família como refém de seqüestro”, afirma. “Este clima de intranquilidade já é vivido nas cidades do Interior”. Zonta acredita que as autoridades terão que trabalhar rapidamente para restabelecer a segurança na sociedade. “Nunca é tarde para dizer que estas ações são fruto do abismo social que o País vive. Temos mais de 75 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza”.