09 de julho de 2026
Política

Clima de medo atinge Legislativo

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Poderia ser apenas mais uma sessão normal, como ocorre em todas as segundas-feiras na Câmara Municipal de Bauru, mas o clima de tensão criado pela onda de violência que atinge todo Estado de São Paulo, também se fez presente no prédio do Legislativo ontem.

Por volta das 14h15, quando a reunião já havia começado, um estrondo assustou os parlamentares. Uma bomba de festa junina foi lançada na calçada próximo ao portão lateral do prédio. A polícia prendeu Fabrício Aparecido Pereira Arlindo, de 22 anos, com outras duas bombas semelhantes, mas ele negou ser o responsável pelo artifício (leia matéria na página XX).

Outro fato que mexeu bastante com vereadores e funcionários foi a localização do prédio do Legislativo lado da Delegacia Seccional, onde a polícia montou uma barreira com faixa de segurança, vaituras e profissionais armados. No final da tarde de ontem, a PM chegou a pedir o encerramento da sessão para o presidente da Casa, Toninho Garmes (PSDB).

Para se ter uma idéia do clima, alguns funcionários do Legislativo estavam com os crachás virados, para não mostrar a função, já que alguns são agentes de segurança e outros vigias.

Os vereadores só deixaram o prédio por volta das 19h, mas saíram em grupo, assim como os funcionários. O presidente da Câmara Toninho Garmes chegou a ser “escoltado” por um veículo com um policial dentro.

Antes do final da sessão, barulho intenso provocado por placas, em obras provavelmente nos Correios, ao lado da Câmara, gerou princípio de alerta. Qualquer ruído ou movimentação fora do normal chamava a atenção.

Revolta

Em plenário, os vereadores se revezaram nos discursos de solidariedade aos policiais e às famílias das vítimas dos ataques criminosos, mas o tom dos discursos foi de revolta e indignação.

O vereador Arildo Lima Júnior (PP), Bombeiro licenciado, fez severas críticas às associações de direitos humanos, à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e ao governo federal. “A segurança não é prioridade neste país”, afirmou. “Onde está o secretário de Segurança, que não age?”, questionou o parlamentar.

Os demais vereadores seguiram a linha do discurso de Lima, e não pouparam críticas à falta de políticas de segurança pública. O vereador Marcelo Borges (PSDB) também questionou a ação de defensores dos direitos humanos. “Onde está esse pessoal dos direitos humanos agora?”, perguntou.

O tucano defendeu a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos. Segundo ele, quem tem 16 anos tem consciência dos seus atos e deve pagar por eles.

Já o vereador Primo Mangialardo (PV) concentrou suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “peão”. “Esse Lula é um bolha, que só entende de avião, porque não pára de viajar. Ele queria ser igual ao Marcos Pontes, mas como não estudou, comprou um avião”, disse.

Mangialardo também endureceu o discurso contra o governador Cláudio Lembo (PFL). O vereador se irritou com a declaração de Lembo, que afirmou ter a situação sob controle. “Se esse é o conceito de controle que o senhor tem, ainda bem que o senhor não pode ser reeleito”, salientou.

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) foi mais ponderado em suas declarações, mas não menos ácido, principalmente ao governo estadual.

Para ele, falta investimento nas polícias Civil e Militar, principalmente na área de inteligência. “Se a polícia fosse bem aparelhada e tivesse um serviço de inteligência eficiente, poderia prever esse tipo de ação e inibi-la”, ressaltou.

Agostinho também criticou o que chamou de “marketing político-eleitoral”. Para o parlamentar se faz muita propaganda e os resultados são mínimos. “Precisa acabar com o marketing de inaugurar penitenciária e entregar viatura e começar a agir”, destacou.