11 de julho de 2026
Regional

Vizinhos ensaiam protesto temendo tragédia semelhante à rebelião de 2005

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Quem mora ao redor da Cadeia Pública de Barra Bonita acompanhou a rebelião de ontem apreensivo.

Há pouco mais de um ano - em março de 2005 - a primeira rebelião na Barra levou pânico aos moradores, com defecho trágico. Dois presos foram mortos a golpes de estilete e nove policias civis foram mantidos reféns por mais de oito horas. Em 32 anos de carceragem nunca havia ocorrido problema semelhante.

Ontem, vários vizinhos lembraram da rebelião do ano passado temendo novas cenas de violência. João Batista Missão, 43 anos, não arredou o pé da cadeia, aguardando o desenrolar das negociações. Ele reside há 20 anos em imóvel a poucos metros do prédio da delegacia, na avenida Doutor Caio Simões. Missão comenta que os presos costumam fazer barulho no período noturno, o que assusta a vizinhança.

Segundo o morador, o clima estaria pesado nas últimas semanas, o que seria aviso de problemas. De acordo com Missão, o promotor público Marcelo Sperandio Felipe havia sido acionado pelos moradores para que tomasse alguma medida judicial que impeça o recolhimento à cadeia de presos que não sejam da Barra. “Ele (Sperandio) disse que entraria, nas próximas semanas, com nova ação civil pública pedindo a proibição de presos de outras cidades aqui. Agora, pedimos providências ao governador (Cláudio Lembo) e ao secretário de Segurança (Saulo de Castro Abreu Filho)”, salientou o morador. O delegado Claudemir Ferracini confirmou que a carceragem continua recebendo presos de Jaú e região.

Os policiais civis também estavam tensos aguardando o fim da rebelião em um momento que se sentem extremamente pressionados ao serem transformados, junto com familiares, em alvos de facções criminosas. Alguns recebiam ligações nos celulares de parentes desesperados atrás de notícias e pedindo para que não se envolvessem na rebelião. Um policial civil, que não quis se identificar, relembrou que foi o último refém a ser liberado no ano passado. De acordo com o policial, o sistema de plantão está exigindo demais dos agentes. Ele avaliou que a situação na cadeia já estava para “virar”.

Atrás das grades que cercam sua residência, de frente para o portão que dá acesso à carceragem, a moradora Karina Fernanda Queiroz, 25 anos, observa tudo desconfiada. Ela alugou o imóvel na avenida Doutor Caio Simões há 20 dias. De acordo com a moradora, o contrato ainda não está assinado e ela pretende reduzir o tempo de um ano de locação estipulado apenas seis meses. Entretanto, ela disse que tinha conhecimento que o imóvel se localizava em local de risco. “A gente sabia, mas não imaginava que aconteceria novamente”, arrepende-se.