09 de julho de 2026
Nacional

PSDB e PFL querem dividir com o Planalto a culpa pela violência

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Lideranças do PSDB e do PFL avaliaram ontem que a crise da Segurança Pública em São Paulo pode atingir não só a candidatura do tucano Geraldo Alckmin ao Palácio do Planalto como também a imagem de boa administração dos dois partidos.

Para evitar esse desgaste, os dois partidos ensaiam dividir a responsabilidade pela onda de violência que atingiu São Paulo com o governo federal e lembrar que os problemas não são exclusivos do Estado.

A reação à possível ofensiva do PT contra a candidatura de Alckmin foi discutida ontem numa reunião entre os presidentes do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e do PFL, Jorge Bornhausen (SC), e os líderes pefelistas e tucanos no Congresso. Teme-se que os petistas usem a onda de violência que atingiu São Paulo para atacar Alckmin.

Quem participou do encontro garante que o distanciamento que Alckmin tomou da crise em São Paulo não foi abordado como um problema para a formalização da aliança entre as duas siglas em torno da candidatura. Apenas se lembrou que o PSDB faz parte do governo Lembo e que não é possível esconder isso.

"São Paulo tem um governo de alianças. O vice e o governador foram eleitos por uma aliança. Todo mundo sabe que em 40 dias (tempo em que o PFL assumiu o governo) não dá para montar um Primeiro Comando da Capital (PCC). O problema afeta o PSDB e o PFL", afirmou o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ).

O pefelista disse que não acredita que a candidatura Alckmin será prejudicada. "Não afeta Alckmin. A população tem noção da responsabilidade de cada um (dos entes federativos). O País vem perdendo o controle da segurança há alguns anos. Há problemas de gestão em São Paulo, mas também problemas na política nacional de Segurança Pública do governo federal", afirmou Maia.

Secretários

O líder do PFL das Minorias na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA), afirmou que os secretários paulistas Saulo de Castro Abreu Filho (Secretário de Segurança Pública) e Nagashi Furukawa (Secretário de Administração Penitenciária) não devem ser afastados do cargo.

Os dois trabalharam com Alckmin no governo e permaneceram nas secretarias a pedido do tucano quando Lembro assumiu o comando do Estado. "Os secretários são da base dele (Lembo). Além disso, não se pode atribuir a um secretário os problemas no sistema de segurança do País", observou Aleluia. "Não é o momento para querer se colocar a culpa em secretário nenhum."

No encontro de ontem, ficou decidido que PSDB e PFL assumirão suas responsabilidades pela crise na segurança de São Paulo, mas deixarão claro que o problema é sistêmico e não se concentra apenas no Estado.