O dia de hoje será decisivo para a onda de violência atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O fim dos atentados pode ser selado em território paulista com o retorno previsto para esta quarta-feira de detentos beneficiados com a saída temporária - concedida em virtude do Dia das Mães. A polícia não descarta a hipótese de parte deles, em dívida com a facção criminosa, ter cometido os ataques por medo de represálias.
A volta dos detentos, no entanto, será marcada por tensão. Denúncias registradas inclusive pela polícia dão conta de que presos não aliados ao PCC correm o risco de transformarem-se nos mais novos alvos da facção. Só em Bauru, mais de 1.200 detentos do regime semi-aberto devem se apresentar até as 17h desta quarta-feira no Instituto Penal Agrícola (IPA) e nas alas de progressão das penitenciárias 1 e 2.
A data coincide com a que teria sido eleita pelo PCC para encerrar sua demonstração de força. No entanto, ela ainda pode ser mantida em ações específicas contra reeducandos da P1 e P2. Não integrantes do facção, eles poderiam ser atacados no caminho para Bauru ou no Terminal Rodoviário da cidade, por exemplo. Há quem arrisque ainda que as ações sejam praticadas pelos reeducandos do IPA, afinados com a facção.
Apesar do risco, não é grande a previsão de evasão nas três instituições prisionais. A aposta é para a manutenção no índice médio de retorno. Tornar-se foragido da Justiça não é vantagem nem para quem teria cometido delitos durante a saída temporária. Neste caso, integrado ao regime semi-aberto, ele dificilmente seria localizado pela polícia e identificado por eventuais vítimas. Para o restante, a progressão já é indício de liberdade à vista.
Segurança
Apesar da simbologia inerente ao dia de hoje e de suas decorrências, a estratégia de atuação policial não será alterada. Tanto a polícia Militar (PM) quanto a Civil informam que já intensificaram o trabalho nas ruas de Bauru no sentido de garantir segurança à população e identificar os responsáveis pelos ataques registrados na cidade.
De acordo com o comandante interino do 4º Batalhão da PM (BPMI), O major Airton Troíjo, o número de abordagens aumentou. A reportagem constatou uma delas ontem à tarde, na quadra 9 da avenida Nações Unidas. Na ocasião, um motociclista e seu acompanhante foram revistados por cerca de cinco policiais fortemente armados. Depois, foram liberados. “A população tem de confiar na polícia. O policiamento está reforçado próximo ao Fórum, escolas e bases comunitárias”, acrescenta o major.
Ontem, a incidência de trotes e ameaças registrados pela PM caiu em comparação à segunda-feira. Porém, ainda continua cerca de 30% maior em relação ao período anterior aos ataques atribuídos ao PCC. “Tem gente que aproveita a situação para brincar ou ameaçar pessoas com quem tem rixa”, explica o comandante.
Mas com a volta gradativa da normalidade, a ruas em frente às bases comunitárias de segurança da PM já foram liberadas. Por precaução, serão interditadas apenas à noite, conclui Troíjo.